Delegado abre inquérito sobre fraude em Ciretran
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Sid Sauer 
O delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão Roberval Butaccini abriu ontem inquérito policial para investigar a venda de carteiras de motoristas na 8ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Ele instaurou o inquérito depois de concluir a leitura do relatório de 35 páginas feito por uma auditoria desde fevereiro. As 17 pessoas citadas no relatório como beneficiadas no esquema serão as primeiras a depor.
Nosso primeiro passo será enviar um ofício ao Detran pedindo o endereço dessas pessoas, explica Butaccini. Só depois de ouvir os beneficiados com as carteiras é que o delegado vai chamar para depor sete funcionários do Detran e outros sete funcionários de auto-escolas de Campo Mourão. O ex-chefe da 8ª Ciretran, Gentil de Lima Costa, apesar de não ser citado como envolvido no caso, também deverá ser chamado para prestar esclarecimentos.
Depois que motoristas, funcionários e auto-escolas depuserem, o delegado pretende fazer acareações entre as possíveis contradições que possam surgir. Será um inquérito que levará vários meses para ser concluído, prevê Butaccini. Segundo ele, as investigações vão apurar se houve crime de prevaricação e corrupção passiva entre os funcionários do Detran e de corrupção ativa entre os empregados das auto-escolas e as pessoas beneficiadas.
São crimes que podem dar de um a oito anos de prisão, ressalta o delegado. Dos 17 motoristas citados no relatório, no entanto, apenas dois admitem que pagaram - um R$ 100,00 e outro R$ 200,00 - para obter a carteira de habilitação. A maioria admite que teve provas práticas ou teóricas facilitadas pelo órgão, mas nega que tenha pago por isso. Ao contrário dos boatos que surgiram em Campo Mourão, nenhum vereador da cidade foi citado no relatório.
O único político citado é o ex-deputado estadual Nélson Tureck (PFL), mas numa forma branda. Uma das pessoas beneficiadas disse que Tureck apenas teria intercedido junto à Ciretran para que seu processo fosse agilizado. O relatório cita casos de pessoas que fizeram as provas de legislação de trânsito em casa e de outras que as respostas certas foram ditadas por funcionários da Ciretran. A auditoria causou a demissão de três funcionários e, segundo o auditor Saulo Miranda, cerca de 300 carteiras foram vendidas desde junho de 98.


