Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual, protocolou, ontem, denúncia na Central de Inquéritos contra a delegada Rosalice Carriel Benetti e os investigadores José Dias de Almeida, Ismael Paes Leite e Jair Teixeira por prática de tortura. Segundo a denúncia, os policiais civis teriam agredido cinco pessoas que foram detidas, em Curitiba, portando comprimidos de ecstasy e maconha na tentativa de descobrirem quem havia fornecido a droga.
Essa é a segunda denúncia apresentada pela PIC contra Rosalice e Almeida em menos de duas semanas. Na semana passada, os dois foram acusados pelo MP de abuso de poder, concussão (exigência de vantagem indevida no exercício da função) e improbidade administrativa. O inquérito foi distribuído para a 9 Vara Criminal.
A denúncia feita ontem refere-se a um fato ocorrido em 31 de agosto do ano passado, que foi denunciado à PIC pelas próprias ''vítimas'' da tortura os jovens T.S., G.T., V.B., F.H. e D.R.B.A. Os cinco foram levados à Divisão de Narcóticos (Dinarc) da Delegacia de Antitóxicos, onde Rosalice era delegada titular.
De acordo com a PIC, Rosalice teria começado a interrogar um acusado por vez. T.S., o primeiro a ser ouvido, teria levado tapas no rosto da própria delegada. O investigador Ismael Leite teria dado sequência às agressões, colocando um saco plástico na cabeça do interrogado. G.T. teria sido torturado com socos e tapas por Leite e Almeida que também teria entrado na sala para participar do ''interrogatório''. Em seguida V.B. teria sido golpeada na cabeça com uma lanterna por duas vezes. F.H. e D.R.B.A. também foram agredidos. Os promotores alegam na denúncia que Rosalice teria participado de praticamente todas as sessões de tortura.
O inquérito será agora distribuído para uma das varas criminais de Curitiba. Os acusados, por serem funcionários públicos, deverão ser notificados e terão direito a apresentar defesa prévia, antes da Justiça decidir se acata ou não a denúncia. A pena para crime de tortura é de dois a oito anos e pode ser agravada em um terço pelo fato de serem servidores públicos.
Além da denúncia, a PIC encaminhou ofício ao delegado-geral pedindo afastamento de todos os acusados de suas funções. O MP também vai propor ações civis públicas para que os policiais sejam afastados.
Rosalice que, segundo a PIC foi transferida para o 1º Distrito Policial, não foi localizada. Na semana passada, a Folha apurou junto à Associação de Delegados de Polícia (Adepol) que ela estaria em licença médica. Na Antitóxicos, um investigador informou que Almeida foi para Cidade Gaúcha. Leite e Teixeira, ainda lotados na Dinarc, segundo uma funcionária, estavam em serviço externo e não retornaram as ligações.

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