Delegada diz que há crime ambiental
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Albari RosaNa mesmaOntem os galões com produtos químicos tóxicos continuavam no galpão à margem da BR-116, em Colombo. Iap demorou um ano quatro meses para autorizar remoçãoA Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente abriu inquérito para apurar responsabilidades pelo depósito de lixo químico industrial num galpão em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O caso foi denunciado ontem pela Folha. Do inquérito consta um laudo do Instituto de Criminalística, segundo o qual os resíduos - armazenados ali há um ano e quatro meses - tornam o local potencialmente perigoso, apresentando efeitos imprevisíveis para o meio ambiente.
O lixo industrial começará a ser retirado do galpão nos próximos dias. A licença para a retirada foi emitida quarta-feira pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), 16 meses depois de ser solicitada pela Ambiência Engenharia de Recursos Ambientais e (coincidência ou não) poucos dias depois da abertura do inquérito. A Ambiência trouxe os resíduos de fábricas de vários Estados e deveria levá-los para queima nos fornos de cimento da Votoran, em Rio Branco do Sul, que usa o material como combustível.
A Ambiência alega que os resíduos ficaram no galpão por causa de problemas técnicos que impediram a Votoran de recebê-los no dia da chegada à Região Metropolitana. Dois dias depois, a Ambiência pediu autorização ao IAP para retirar o material do galpão. O IAP afirma que a licença demorou tanto tempo para sair porque há poucos advogados para cuidar dos processos. Durante esse período, a região onde fica o barracão - cheio de frestas por onde qualquer pessoa pode entrar - tem convivido com risco de explosão e danos ao meio ambiente e seres humanos. O laudo do Instituto de Criminalística aponta vários problemas no local: vedação inadequada, vazamento em tambores, ventilação ineficiente e estocagem rudimentar.
A delegada Valéria Padovani de Souza, que preside o inquérito, já tomou depoimentos de representantes da Ambiência, da fábrica de cimento e do IAP. Há um crime ambiental e o fato de os resíduos serem retirados de lá não exime os responsáveis, afirma.
A denúncia causou preocupação na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. O promotor Saint-Clair Santos disse que pretende pedir ao IAP uma relação das substâncias armazenadas no galpão, para certificar-se de que não há entre elas resíduos cuja queima é proibida, por causar danos ao meio ambiente.
Para Teresa Urban, do Fórum das Entidades Ambientalistas da RM, o caso escancara o problema da falta de fiscalização dos resíduos industriais. Se eventualmente esses resíduos não estivessem na categoria dos que podem ser queimados, quem teria monitorado o destino deles?.


