Delegada deve pedir hoje a prisão de Barbosa
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terça-feira, 17 de março de 1998
Cristine Pieske 
A delegada de polícia de Itapoá (SC), Maria de Fátima de Souza Ignácio, deverá pedir hoje a prisão preventiva do ex-diretor do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Claúdio Coelho Barbosa. Ele é o principal suspeito de ter sido o mandante do assassinato de Aristides da Silva, o Tigrinho, presidente do Sindimoc morto com sete tiros na madrugada de domingo num bar em Itapoá. A delegada também deverá divulgar hoje o retrato falado dos dois homens que disparam os tiros em Silva e que continuam foragidos.
Um carro igual ao de Barbosa - um Santana prateado - foi visto no balneário horas depois do homicídio. O delegado de Pinhais, José Carlos de Oliveira, que auxilia nas investigações, interrogou alguns moradores do balneário que afirmam ter visto um homem alto e grisalho na companhia de dois rapazes, que teriam saído correndo do bar da colônia de férias do Sindimoc, onde Silva foi assassinado. A descrição dos três homens, feitas pelo pescador, bate com as características de Barbosa e dos assassinos, segundo as informações fornecidas pelas pessoas que estavam no bar no momento do crime.
Segundo o relato do pescador, o Santana estacionado próximo à colônia de férias chamou sua atenção porque o motorista - qua a polícia acredita ser Barbosa - saía com frequência do carro, fumava muito e andava nervosamente em volta do veículo. Alguns minutos depois, dois rapazes passaram correndo pelo pescador e e entraram no carro, que saiu em alta velocidade.
A polícia suspeita também do envolvimento de uma quarta pessoa, ainda não identificada, que estaria em outro carro dando cobertura à ação dos assassinos. Um construtor interrogado pela polícia, que passava pelo local minutos antes do assassinato, disse ter visto o motorista de uma caminhonete de cor escura entregando alguns objetos - provavelmente as armas do crime - para os passageiros do Santana.
Apesar de ainda não ter sido comprovado se o Santana visto no balneário pretence mesmo a Barbosa, o carro do ex-diretor está recolhido no pátio do Instituto de Criminalística para ser analisado. Uma perícia inicial já constatou a presença de areia e piche no veículo. O delegado Oliveira recolheu também um porta-garrafas e um cinzeiro utilizados pelos assassinos no bar e que devem conter as impressões digitais dos envolvidos. Segundo o delegado, os rapazes que dispararam os tiros não são pistoleiros profissionais. Eles se expuseram muito durante todo o dia que precedeu o crime, e por isso serão facilmente reconhecidos, afirma.


