Silvana Leão
De Londrina
A delegada do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, Waldete Testoni, afirmou ontem não ter nenhuma dúvida de que o catador de papel Ademir Justino da Silva, morto no último sábado ao ser espancado por dezenas de detentos na Prisão Provisória de Londrina, era realmente o autor do assassinato da garota Greice Carolina da Silva Melo, de cinco anos. A menina estava desaparecida desde o dia 1º de setembro e seu corpo foi encontrado na sexta-feira, em um terreno próximo ao Jardim Santa Fé (zona leste).
Segundo Waldete Testoni, se houvesse qualquer tipo de dúvida em relação ao caso, ela não teria pedido a prisão preventiva de Ademir da Silva, conhecido como ‘‘Doido’’. ‘‘Eu só pedi a preventiva porque ele confessou o crime espontaneamente, sem nenhum tipo de coação. Infelizmente o mataram na prisão’’, disse. A delegada foi responsável por apurar o desaparecimento da menina.
Quanto ao fato da namorada de ‘‘Doido’’, K.C., ter afirmado no sábado que dormiu com ele na noite do desaparecimento de Greice Melo, a delegada lembrou que ela foi procurada no dia em que começaram as investigações. K. C. teria dito a Waldete Testoni que não sabia de Ademir da Silva, pois ele não havia dormido em casa e estava desaparecido. ‘‘Como que agora ela vem dizendo que estava com ele naquela noite?’’
A delegada confirmou que, por falta de pessoal para fazer as investigações, requereu a ajuda de uma equipe da Polícia Militar. Segundo ela, o pedido foi feito porque, neste tipo de caso, quanto mais o tempo passa, mais difícil vai ficando a solução. ‘‘O tempo estava passando e a menina não aparecia.’’ Ela explicou que, paralelamente, uma equipe do 2º DP prosseguiu com as investigações. ‘‘Nós chegamos a ir para Santa Cecília do Pavão (onde moram os pais de Doido), no dia 3 de setembro, para tentar localizar o Ademir.’’
O catador de papel Luís Carlos de Souza, um dos três que procuraram a polícia na manhã da última sexta-feira para denunciar a presença de um corpo no local indicado por um amigo (o menor A., também catador de papel), confirmou ontem a versão já dada aos meios de comunicação na semana passada. Ele acrescentou, porém, que o menor teria ido à casa de Ademir da Silva por volta das 3h30, na noite do crime, e ele teria dito que não podia abrir a porta.
Souza acha que naquela hora ele já estava com a menina. ‘‘A Marineide (mãe da garota) disse que só saiu de casa às 5 horas, mas eu duvido. Ela é muito mentirosa. Pra mim, ela passou a noite toda fora.’’
Segundo ele, A. teria passado o resto da noite na rua e, por volta das 8 horas, encontrado o ‘Doido’ carregando um saco nas costas. ‘‘Ele contou que tinha matado um cara, esquartejado e colocado lá dentro’’. De acordo com Souza, Ademir da Silva teria contado com a ajuda de outro papeleiro, conhecido como ‘‘Catatau’’, para colocar o corpo dentro da tubulação de esgoto. ‘‘Tanto que assim que soube que o ‘Doido’ ia prestar depoimento na polícia, o ‘Catatau’ sumiu.’’
Darci Antonio Melo, primo de Marineide da Silva Melo, também acha que não há a menor suspeita de que Ademir da Silva não tenha sido o assassino de Greice Melo. Uma prova de que A. contou a verdade, segundo Melo, é que ao chegar ao 2º DP, depois de ser preso pela polícia, ‘‘Doido’’ tentou avançar para cima do menor, como se estivesse com raiva por ele tê-lo denunciado.
Ontem a Folha tentou entrevistar o menor A., mas o dono do depósito de papel para o qual ele trabalha, Edmilson Cerdeira, disse que se sentia responsável pela segurança do garoto e pediu para ninguém mais o procurasse. ‘‘O caso já está encerrado’’, afirmou.
O chefe do Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina, Antonio Carlos de Queiroz, disse que é difícil informar se a necrópsia feita no corpo de Greice esclarecerá se houve ou não abuso sexual – Doido teria dito à polícia que matou e depois estuprou a menina. ‘‘Normalmente é difícil comprovar, pelo avançado estado de decomposição.’’
Segundo o médico, o rascunho do laudo seria entregue para digitação ainda na tarde de ontem, mas ele não precisou a data que o laudo definitivo seria apresentado. Disse apenas que a conclusão final dos exames deverá ser entregue às autoridades policiais até sexta-feira.

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