Curitiba - A delegada Margareth Motta, que teve prisão preventiva decretada pela Justiça de Rio Negro, conseguiu driblar a polícia de Florianópolis (SC), onde foi detida, e fugiu em um carro alugado anteontem à tarde. A informação foi passada pelo delegado da Corregedoria da Polícia Civil do Paraná, Adauto Abreu de Oliveira, que conseguiu contato com Margareth pelo telefone celular na noite de sexta-feira. Segundo Adauto, nervosa e chorando muito, a delegada que está foragida em outro estado, disse não entender o que estava acontecendo e que seu marido e advogado procurariam a Corregedoria na segunda-feira.
Margareth estava na Academia de Polícia, em Florianópolis, e foi levada para a Delegacia Geral, onde aguardaria a chegada dos policiais de Curitiba. Segundo o corregedor Adauto Oliveira, com a desculpa de que teria que passar no hotel em que estava hospedada para pegar suas malas, Margareth despistou os policiais e fugiu. Ao falar com Margareth pelo telefone, Oliveira aconselhou a delegada a se entregar antes de completar 30 dias, pois do contrário caracterizará abandono de emprego.
Margareth e Armando Marques Garcia, ambos delegados da Estelionato e Desvio de Cargas, em Curitiba, além do superintendente da mesma delegacia, Hélcio Piasseta, são acusados de facilitar a ação de uma quadrilha de roubo de caminhões, desvio de cargas e receptação de produtos roubados, chefiada por Mário Fogassa. Garcia e Piasseta estão detidos na Custódia Especial da Polícia Civil.
Oliveira informou ainda que o advogado da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), Antônio Augusto Figueiredo Bastos, indicado para defender Garcia e Piasseta, deve entrar amanhã com pedido de habeas corpus. O corregedor irá pedir ao Ministério Público cópia da documentação que comprovaria o envolvimento dos policiais com a quadrilha para decidir sobre a instauração de procedimento administrativo. ''Não vou ser leviano de me manifestar antes de receber qualquer documentação oficial'', declarou, dizendo estranhar o fato de a polícia não ter recebido os autos do MP. Até ontem, 13 da 21 pessoas acusadas na ação do MP haviam sido presas.

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