'Delegacias são um barril de pólvora'
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segunda-feira, 05 de janeiro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os municípios da Região Metropolitana de Curitiba estão passando dificuldades de pessoal nas delegacias de polícia. Uma pesquisa feita na semana passada pela reportagem da Folha constatou que 467 presos estão sendo cuidados por 18 investigadores em 11 municípios da Grande Curitiba. Uma média de um investigador para cada 26 presos. Isso sem contar o trabalho investigativo, que fica completamente prejudicado por causa dos presos.
Se fosse retirado um investigador por delegacia para cuidar apenas da busca de provas nos inquéritos policiais, sobrariam apenas sete policiais civis para cuidar de 467 presos. Uma média de um investigador para cada 66 presos. ''Ficou impossível trabalhar nas delegacias da região metropolitana. É um verdadeiro barril de pólvora. Rezamos todos os dias para voltarmos bem para casa'', reclamou um investigador, que pediu para não ser identificado pela reportagem da Folha.
Além da falta de estrutura, as delegacias sofrem com a superpopulação. A capacidade das delegacias de abrigar presos já está ultrapassada em 80%. No espaço onde estão os 467 presos, caberiam originalmente apenas 259. Em alguns municípios a situação é mais preocupante. Em São José dos Pinhais, por exemplo, o maior em população da Região Metropolitana, apenas três plantonistas cuidam de 108 presos. No município, apenas duas delegacias funcionam. A de Borda do Campo, apenas para registro de ocorrências.
Em Campo Largo, 48 presos estão sendo observados por apenas um investigador. Situação semelhante vivem os municípios de Colombo (52 presos), Campina Grande do Sul (14), Piraquara (25), Quatro Barras (28) e Campo Magro (oito). Todos com apenas um investigador de plantão. Municípios com delegacias maiores como Almirante Tamandaré (47), Alto Maracaná (55) e Pinhais (42) contam com dois plantonistas.


