Delegacias do Paraná vivem o caos
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segunda-feira, 05 de janeiro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Não bastasse a defasagem histórica do efetivo da Polícia Civil em todo o Paraná, as delegacias subordinadas à 10 Subdivisão Policial (SDP), que contempla ao todo 20 cidades na região de Londrina, estão ainda mais desfalcadas neste começo de ano. O deslocamento de policiais para as operações Costa Oeste e Verão, que duram até o início de março, concessão de férias e licenças de muitos profissionais agravaram a situação que já era precária.
Em várias cidades, as delegacias possuem apenas dois investigadores, que são obrigados a se revezar em turnos de 24 horas, enquanto a determinação da chefia da Polícia Civil é de que turnos em plantões sejam de 12 por 36 horas. Esta situação é verificada em Primeiro de Maio, Centenário do Sul e Sertanópolis. Esta última está sem delegado, já que o titular está de férias até 10 de janeiro. O único escrivão foi para a Operação Verão: quando é necessário registrar ocorrência, é acionado o escrivão de Primeiro de Maio.
O delegado de Centenário do Sul, José Vitor Silva Pinhão, está atendendo também Florestópolis e Porecatu. Nesta, o delegado e um escrivão foram deslocados para a Operação Verão, em meio às investigações do sequestro da menina Luana Oliveira Lopes, 8 anos, ocorrido em novembro. Em Centenário, as dificuldades são acentuadas porque a delegacia atende também Cafeara e Lupionópolis, e o único escrivão está de férias. Em seu lugar, está trabalhando um funcionário da prefeitura da cidade.
Pinhão relata que em outubro enviou ofício à Divisão Policial do Interior (DPI) para informar as dificuldades proporcionadas pela falta de policiais. Recebeu promessas de reforços para 2004. ''Infelizmente, ainda tem localidades no Estado em que a situação é pior'', diz o delegado. Devido à equipe reduzida, um preso de confiança ajuda a repassar as refeições para os demais detidos. Em Primeiro de Maio, o efetivo sofreu o desfalque de um investigador, que foi para a Operação Verão.
Estas situações em que a delegacia conta com apenas dois investigadores geram três inconvenientes principais: em primeiro lugar, há desvio de função, pois os profissionais são obrigados a cuidar de presos em vez de atuar na solução de crimes. Segundo, os turnos de 24 horas resultam num acúmulo de trabalho obviamente estressante. Terceiro, por vezes há presos demais para tomar conta.
''Para fazer muita coisa de que normalmente a Polícia Civil teria que dar conta sozinha, como organizar banhos de sol e levar presos ao Fórum, temos que chamar policiais militares'', diz um investigador, que não quis ser identificado. O trabalho, obviamente, fica comprometido. ''Já tivemos que negar atendimento a muita gente. Às vezes, alguém vem prestar uma queixa e temos que dizer que não podemos fazer nada. Recomendamos à pessoa que procure outra instância, como a prefeitura, a imprensa'', relata o mesmo investigador.
A Folha apurou, extra-oficialmente, que também em Bela Vista do Paraíso a delegacia conta atualmente com apenas dois investigadores. O delegado Aparecido Antônio Gregório não confirma a informação e prefere não relatar os números da equipe (''tememos que a divulgação desses dados na imprensa estimule planos de fuga''), mas admite que a dificuldade é grande.
''Desde junho, quando assumi a delegacia, o efetivo nunca esteve próximo do ideal. Seriam necessários no mínimo mais dois escrivães e cinco investigadores'', diz Gregório. Em novembro, a delegacia perdeu um investigador e um escrivão, que foram transferidos para Curitiba. O delegado argumenta que a equipe é insuficiente para as necessidades da região: a população de Bela Vista passa dos 15 mil habitantes. Alvorada do Sul, pela qual Gregório também responde já que a delegacia da cidade está sem titular, tem 7 mil pessoas.


