Jataizinho - Era tarde de segunda-feira quando a família de uma jovem de 15 anos chegou à Delegacia da Polícia Civil em Jataizinho (Norte do Estado) para registrar uma queixa de atentado ao pudor cometido por um vizinho. Prontamente, a equipe da sargento gestora Jussara Arantes, responsável pelo atendimento, foi até a casa do suspeito e o conduziu para prestar esclarecimento. Mas a população deste município e de outras 236 pequenas localidades paranaenses correm o risco de já nos próximos dias encontrarem os prédios da Polícia Civil fechados por causa de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o fim da função de sargentos gestores no Estado (leia box).
A diarista que foi até a delegacia com a filha afirmou que ''não queria que o serviço (da sargento) acabasse''. ''É muito importante esse atendimento porque se não tiver uma pessoa aqui, o que que nós vamos fazer nessa Jataizinho?'', questionou, lembrando que na Vila Pavão, onde mora, ''a coisa é feia''. Ela elogiou que o serviço prestado pelos PMs é muito bom.
Em pouco mais de 15 minutos, enquanto ainda conversava com a reportagem, uma viatura foi até a casa do suspeito e o conduziu até a delegacia para que prestasse esclarecimentos. Mesmo diante da negativa do suspeito, o sargento alertou o rapaz para não se aproximar da jovem e que se isso viesse a acontecer, ele poderia ser preso e autuado por atentado violento ao pudor.
Caso a determinação do STF já estivesse valendo, provavelmente a diarista teria que aguardar a chegada de um delegado ou ir embora sem registrar a queixa. Isso porque na cidade não há nenhum policial civil e o delegado responsável fica em Uraí e é titular em outras duas delegaciais da região
A sargento gestora de Jataizinho apontou que somente no mês passado registrou 61 boletins de ocorrência. Quando ela deixar a função de gestora, a PM também deverá desocupar o prédio e, com isso, a população pode ficar sem ter a quem recorrer numa situação de emergência. ''A cidade sofre os reflexos da proximidade com Londrina. Muitos marginais cometem crimes na região e vêm se esconder aqui'', citou a oficial. No município, os policiais militares ficam responsáveis pelos serviços administrativos e também se encarregam de diligências, depoimentos, investigações e outros procedimentos. Estes atos depois são reportados ao delegado responsável.

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