Delegadas e funcionários das 12 Delegacias da Mulher do Paraná se reúnem hoje, em Londrina, para discutir formas de mudar o quadro de precariedade nestes órgãos. Apesar de boa parte das delegacias paranaenses ter mais de 15 anos de funcionamento, este será o primeiro encontro estadual do gênero. O evento começa às 9 horas, na Câmara Municipal.
Um levantamento feito pela Secretaria Municipal da Mulher e Delegacia da Mulher de Londrina mostra como o quadro de recursos humanos e materiais está defasado em todo o estado, e insuficiente para atender a demanda. Em grandes municípios como Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, as delegadas contam com o apoio de no máximo quatro funcionários, entre investigadores e escrivães. O número de funcionários administrativos também é pequeno.
Apenas cinco delegacias funcionam em imóveis próprios. Em Londrina e Curitiba, os órgãos utilizam imóveis alugados. Delegacias como as de Campo Mourão e Maringá compartilham o espaço com outros órgãos. Também há poucos veículos e, em alguns casos, cedidos ou locados. A rede de serviços oferecidos pelas delegacias da Mulher está longe do ideal: na maioria delas, o atendimento social, psicológico e jurídico tem de ser feito externamente.
Outro grande problema é a falta de qualificação específica para o atendimento. De acordo com a delegada da Mulher de Londrina, Joseléia Pigozzi, delegadas e funcionários que trabalham na área tiveram somente uma formação geral. ''Não temos formação técnica. Não é que o policial sem especialização não tenha condições de atender às mulheres, mas aqui mexemos o tempo todo com emoções, é muito desgastante'', afirma.
Até o último dia 19, a delegada contabilizou 1.757 casos com boletim de ocorrência registrados em Londrina neste ano. Joseléia afirma, contudo, que o atendimento nessas delegacias vai além das funções policiais, servindo como um ''ponto de referência'' para as mulheres. ''São pessoas simples, na maioria. Elas nos procuram para esclarecer questões sobre exame de paternidade, pensão alimentícia, filhos drogados. A gente tenta conscientizar e apontar caminhos'', explica.
Com essa demanda, fica ainda mais difícil administrar o tempo de atendimento. Os quatro funcionários da delegacia de Londrina - uma escrivã, dois investigadores e uma auxiliar administrativa, se desdobram durante o horário de funcionamento do órgão, que vai de segunda a sexta-feira, somente em horário comercial. Eles dispõe de apenas uma viatura. Para exemplificar a defasagem de funcionários, a delegada lembra que, há oito anos, havia sete pessoas trabalhando no local.
''Seria necessário o dobro de funcionários e mais uma viatura para um atendimento pelo menos razoável'', diz. Para grande parte das vítimas de agressão física que procuram a delegacia, existe ainda mais um obstáculo: a distância em relação ao Instituto Médico Legal (IML), onde são realizados os exames de corpo de delito. A delegacia funciona na área central e o IML, no Jardim Alvorada (Zona Oeste). ''Dificulta sim, porque algumas perícias têm que ser feitas imediatamente, como nos casos de agressão sexual'', constata.
Todos esses problemas serão expostos no encontro de hoje, que terá a participação de autoridades municipais da área da Mulher, do secretário de Estado de Segurança Pública, Luis Fernando Delazari, da deputada estadual Elza Correia (PMDB), uma das promotoras do evento, e do coordenador de Assuntos Policiais do Grupo Executivo do Programa ''Delegacia Legal'' do Governo do Rio de Janeiro, Walter da Silva Barros.

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