Delegacia só funciona com
a ajuda da prefeitura local
O responsável pela Polícia Civil de Pinhão, Dirceu Nivaldo de Oliveira, é escrivão e exerce na prática a função de delegado, de acordo com nomeação que recebeu para o cargo. Como a polícia não dispõe de estrutura, foi definida uma parceria com a prefeitura para que a delegacia não tenha de fechar as portas. O restante dos funcionários, segundo Dirceu, é da prefeitura: identificador, carcereiro, cozinheira, faxineira e um escrivão.
Na falta de pessoal, a cadeia fica sem carcereiro à noite. A única garantia de segurança é a unidade da Polícia Militar, que fica situada num terreno ao lado e de onde se avista a cadeia. Nas instalações precárias da Polícia Civil, houve três fugas este ano. Na segunda, os detentos conseguiram cerrar as grades de uma janela. Entre os fugitivos, alguns eram perigosos, de acordo com Dirceu. Hoje estão detidos quatro presos em seis celas e dois foram transferidos para Guarapuava por falta de espaço. Há cerca de 45 dias, Dirceu e o juíz da Comarca de Pinhão, Ronaldo Sansone Guerra, foram às polícias Civil e Militar de Guarapuava solicitar mais policiais para Pinhão. Até o momento, o reforço não veio.
O veículo utilizado pela delegacia está com motor fraco. ‘‘A gente nem arrisca pegar a estrada com ele’’, comentou Dirceu. Do carro, a única coisa que ele exibe são os pneus novos que foram fornecidos pela prefeitura.
Na Polícia Militar de Pinhão, segundo o comandante, sub-tenente Valdeci Biasebetti, nove homens trabalham num turno de 24 horas por 48 horas, tentando uma missão quase impossível: proporcionar segurança, ao mesmo tempo, às zonas urbana e rural de um município com cerca de 2.100 quilômetros quadrados. A preocupação da PM aumenta ainda mais quando os soldados têm de atender a alguma ocorrência em localidades distantes do centro, como Barreiros, onde só se chega depois de se percorrer cerca de 60 quilômetros numa estrada de terra.
‘‘Nessas circunstâncias, o centro da cidade fica descoberto’’, disse o comandante. Apesar de uma viatura nova recebida em agosto, ele disse entender que para haver um bom nível de segurança em Pinhão, ‘‘seriam necessários pelo menos 20 homens e dois veículos’’. (M.G.)

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