Delegacia registra fuga em massa
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
De Curitiba - Vinte e dois presos fugiram na noite de terça-feira da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba, depois de cavar um buraco na parede de uma cozinha provisória, que fica no fundo da carceragem. Eles usaram hastes de metal da janela para abrir a passagem. Quatro detentos foram recapturados em seguida. Um dos presos ficou ferido ao ser atingido por um disparo dado pelos policiais, mas mesmo assim conseguiu fugir. Dos 18 detentos que continuam foragidos, 13 já são condenados pela Justiça e, por isto, deveriam estar cumprindo pena nas unidades do sistema penitenciário.
De acordo com o superintendente da Furtos e Roubos de Veículos, Neimir Cristóvão, cinco policiais estão trabalhando nas buscas, mas até o final da tarde de ontem mais nenhum preso havia sido recapturado. A expectativa é de que os próprios advogados apresentem seus clientes, pois, segundo ele, muitos presos fugiram sob ameaça dos que lideraram a fuga.
Na ala onde ocorreu a fuga, havia 46 presos. No total, 110 detentos dividem o espaço da carceragem que tem capacidade para 30 presos. Cristóvão disse que este ano houve duas tentativas de fuga e uma ameaça de rebelião, mas esta foi a primeira vez em que os presos tiveram sucesso. Para reforçar a segurança, o superintendente informou que os internos estão sendo redistribuídos pelas celas e os cadeados estão sendo substituídos. Por enquanto, as visitas estão suspensas.
A Associação de Cidadãos da Vila Izabel (Assobel) espera que a desativação definitiva da carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos aconteça no início do ano. Segundo a presidente da Assobel, Kátia Zilli, já houve um compromisso por escrito do secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, em ofício datado de 1º de outubro, de que os presos daquela unidade serão transferidos assim que for concluída a Penitenciária Estadual de Piraquara.
Depois de inúmeros protestos, em janeiro deste ano, os moradores conseguiram a transferência dos detentos do Centro de Triagem, que funcionava no mesmo bairro. ''Essa fuga agora fortalece nossas reivindicações, pois só vem a confirmar aquilo que a gente vem há tempo alertando'', declarou Kátia referindo-se à existência de uma cadeia sem infra-estrutura para abrigar presos em plena área residencial. ''Nós temos feito a nossa parte, enfrentando as questões que dão origem à criminalidade. Esperamos que as autoridades também façam a parte delas'', completou.


