Delegacia quer saber se funcionários usam drogas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba A primeira portaria assinada em 2003 pelo delegado Luiz Antonio Zavattaro, da Divisão de Narcóticos (Dinarc) de Curitiba, pegou os funcionários de surpresa. O documento convida os cerca de 40 funcionários da delegacia a realizar exames toxicológicos e psicológicos para apontar possíveis dependências químicas. ''Em caso de resultado positivo, não vai haver represálias, mas é nosso dever encaminhar o dependente para tratamento'', explicou o delegado.
A medida tem o objetivo de combater o uso de drogas e bebidas alcoólicas entre os policias. ''Sabemos que o trabalho é estressante e que muitas vezes os funcionários recorrem a esses subterfúgios, mas queremos acabar com isso e essa foi a alternativa encontrada'', justificou Zavattaro. O delegado ressaltou que a portaria não obriga ninguém a fazer os exames. Dos cerca de 40 funcionários, 31 aceitaram se submeter aos testes. Os funcionários não podem ter os seus nomes divulgados porque trabalham em investigações de caráter sigiloso.
O resultado dos exames fica pronto em uma semana. Segundo o delegado, o resultado só será conhecido pelo funcionário e pela sua imediata chefia superior. A idéia, ressaltou, é estender a medida para outras delegacias do Estado. A decisão, porém, pode não ser interpretada como uma medida legal.
Segundo o professor de direito constitucional da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Clemerson Merlim Clève, tal exame não pode ser exigido. ''Mesmo que as pessoas não sejam obrigadas a fazer os testes, pode trazer certa dose de constrangimento para os que se recusam'', argumentou.


