Delegacia quer construir alas especiais para abrigar menores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de julho de 2002
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Sarandi - A Delegacia de Sarandi (7 quilômetros de Maringá ) iniciou uma campanha junto à comunidade para construção de duas alas especiais para menores. O objetivo é permitir que os meninos e meninas apreendidos por crimes graves, fiquem em um lugar mais arejado na delegacia enquanto aguardam para serem liberados ou encaminhados para instituições de atendimento aos menores infratores. A expectativa é que até o final de agosto as novas instalações sejam inauguradas.
Atualmente, a Delegacia de Sarandi tem apenas uma cela com capacidade para dois menores, mas conta com oito apreendidos por crimes diversos. De acordo com o delegado Maurício de Lima Filho, o espaço hoje reservado aos menores infratores não contribui para a recuperação deles. ''É preciso que estes meninos tenham um local mais condizente enquanto aguardam para serem transferidos'', explicou.
Segundo Lima Filho, a maioria dos infratores apreendidos na delegacia comete crimes graves como tráfico de drogas, roubo e latrocínio. Eles podem permanecer na delegacia entre 45 a 90 dias. Apesar da periculosidade dos infratores, o delegado defende um tratamento diferenciado aos menores na tentativa de recuperá-los. ''Amontoados do jeito que estão em uma única cela é muito difícil vislumbrar qualquer futuro melhor para estes menores'', disse.
Um dos meninos que continua apreendido na cadeia de Sarandi, é C.D., 13 anos. Ele já foi detido 100 vezes por diversos crimes, principalmente roubo e danos ao patrimônio. Anteontem, ele se desentendeu com outro menor apreendido na cadeia e acabou sendo agredido. Conforme o delegado, o adolescente sofreu ''apenas'' ferimentos leves. C.D. aguarda autorização da Justiça para ser transferido para o Educandário São Francisco, em Curitiba.
De acordo com o delegado, assim como C.D., todos os menores apreendidos na delegacia de Sarandi têm problemas familiares graves. Geralmente, segundo Lima Filho, os pais são desempregados, alcóolatras ou ex-presidiários que ''carregam'' para a casa todas as dificuldades da vida. ''O problema do menor infrator em Sarandi é puramente um problema social, porque a maioria não tem qualquer amparo familiar e desde cedo está nas ruas cometendo todo tipo de crime'', acrescentou o delegado.


