Emerson Cervi
De Curitiba
Experiência começou há 40 dias no 3º DP de Curitiba, mas proposta é expandir projeto para outras delegacias do interior do Estado
A 1ª Unidade de Atendimento Psicossocial da Polícia Civil do Paraná foi inaugurada ontem. A unidade, que funcionou em fase experimental por 40 dias, está instalada no 3º Distrito Policial de Curitiba, no bairro das Mercês. Cinco psicólogos e assistentes sociais fazem o acompanhamento de familiares de detentos e de vítimas de crimes.
O serviço é aberto a toda comunidade e não apenas a pessoas que tiveram alguma ligação com crimes. A unidade psicossocial da polícia civil será implantada em outras delegacias da capital e do interior do Estado. Não há previsão de datas para a expansão do serviço. Em cidades do interior, a polícia terá convênios com as prefeituras e universidades para instalar as unidades psicossociais.
Segundo o delegado-chefe da Assessoria com a Comunidade da Polícia Civil, Mário Campos Serra, responsável pelo projeto, esta é a primeira experiência de atendimento social em delegacias de polícia no Brasil. O acompanhamento psicológico normalmente é feito em penitenciárias, com detentos que já foram condenados pela justiça. ‘‘O objetivo do projeto é atender todas as pessoas da comunidade e com isso evitar o crescimento da criminalidade’’, disse. As próximas delegacias a entrarem no projeto serão as dos bairros Campina do Siqueira, Portão e Vila Hauer.
A assistente social Sueli Terezinha da Silveira, que trabalhou em todo o período experimental do projeto, conta que as famílias de 95% dos presos no 3º Distrito já passaram pela unidade. ‘‘No começo, as pessoas eram arredias, mas depois de algum tempo elas se dirigiam voluntariamente para o serviço antes do horário de visita’’, contou. Em média, entre três e quatro pessoas são atendidas na unidade psicossocial por dia.
Durante o período experimental, os psicólogos fizeram atendimentos de quatro casos externos (sem ligação com os presos). ‘‘Atendemos uma menina de cinco anos que quase foi estuprada pelo vizinho e a vítima foi encaminhada para tratamento psicológico’’, contou a assistente social.
O Secretário de Estado da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, e o delegado-geral da Polícia Civil, Newton Tadeu Rocha, participaram da solenidade de inauguração. ‘‘Esse trabalho que a Polícia Civil do Paraná vai evitar a reincidência de ex-detentos em crimes depois que eles saem da cadeia’’.

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