Delegacia muda comportamento de casais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Marcos Zanatta 
A Delegacia da Mulher de Sarandi (7 km a leste de Maringá) está completando um ano, mudando o comportamento dos casais que enfrentam algum tipo de problema no relacionamento. Em média, mais de 20 mulheres procuram a delegacia por dia, mas a maior parte dos casos é simples, que acabam em conciliação.
A mulher de Sarandi está mais consciente e buscando seus direitos. Apesar da cidade ser considerada violenta, os casos mais graves são raros, garante a delegada Ednéia Maria Bueno. Ela é a única funcionária contratada pelo Estado. Os outros quatro funcionários são mantidos pela prefeitura. Sem esse pessoal a gente não conseguiria trabalhar, afirma.
Boa parte das mulheres atendidas busca orientação. Elas discutem, ficam exaltadas e muitas vezes apanham sem saber o rumo a tomar, diz Ednéia. Os casos sem gravidade, ou sem agressão, normalmente são tratados de modo a evitar que se transformem em processo judicial.
Quando existe agressão ou ameaça de morte, a própria delegada incentiva a continuidade do caso na Justiça. Pelo menos metade das mulheres atendidas sofreu algum tipo de agressão, e isso é crime, desabafa. As principais causas, segundo a delegada, são a falta de dinheiro, o álcool e o desemprego.
A Delegacia da Mulher tem mudado também a mentalidade dos homens, garante Ednéia. A reincidência nos casos mais graves é de menos de 20% e até hoje apenas um homem chamado para depor desrespeitou as mulheres da delegacia. A delegada diz que a orientação e as consequências do crime, apresentadas para os homens, acabam mudando o comportamento da maior parte.
Os que bebem são orientados a frequentar entidades que trabalham com ex-alcoólatras. E os homens vão, param de beber e ainda vêm aqui contar para a gente, diz ela. Nos casos extremos, a delegacia encaminha para internamento em clínicas, ou deixa a Justiça decidir.
A Delegacia da Mulher registra também um reduzido número de estupros, apesar das características de Sarandi. Desde que abriu foram dois casos, o último há poucas semanas, com o acusado já preso.


