A Delegacia de Polícia de Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba, perdeu ontem dez dos 14 funcionários e teve três dos quatro veículos recolhidos por determinação do prefeito Celso Rocha. O motivo foi a suspensão do repasse mensal de R$ 15 mil a R$ 18 mil que vinha sendo feito pela prefeitura para o pagamento das despesas da delegacia. Segundo o prefeito, o município está em crise financeira e não pode mais arcar com o gasto, que representa quase 2% do orçamento anual de R$ 9 milhões do município.
Esse dinheiro vinha sendo utilizado para pagamento de salários dos funcionários municipais mantidos à disposição do delegado, aluguel de carros para patrulhamento e da casa em que funcionava a delegacia. ‘‘Esta despesa é uma atribuição do Estado. Com os R$ 150 mil gastos com a manutenção da delegacia posso fazer dois quilômetros de antipó ou construir duas praças’’, disse o prefeito.
Quem pode perder com a decisão são os 75 mil moradores da cidade que daqui para frente vão contar com apenas um carro e quatro policiais para atender os crimes cometidos na localidade. O delegado-geral de Polícia Cicil, Newton Tadeu Rocha, minimizou a situação e disse que a população ‘‘não deverá ter prejuízos’’. ‘‘O Centro de Operações Especiais (Cope) e a Delegacia Regional de São José dos Pinhais vão atender as ocorrências da cidade’’, afirmou.
Até as 10h30 de ontem, o delegado Ediu Fernandes ainda não tinha recebido nenhuma informação do que deveria fazer. Fernandes chegou a transferir 17 dos 23 presos para outras delegacias da região e estava pronto para fechar as portas do prédio. ‘‘Em 18 anos de polícia nunca vi nada igual. Quem vai sofrer com isso é a população, pois a região tem um alto índice de violência’’, disse. Pouco antes das 11 horas o delegado recebeu por telefone a determinação de manter a delegacia aberta.
O delegado-geral da PC, Newton Rocha, afirmou que situações como a de Fazenda Rio Grande vão estar resolvidas depois do processo de reestruturação da Polícia Civil proposto pela Secretaria Estadual da Segurança Pública. Dentro deste projeto, o concurso para a contratação de mais 1 mil policiais civis, que está em andamento, deve atenuar o panorama. ‘‘O efetivo de 3,6 mil policiais que temos hoje não é o suficiente. O ideal seria acima de 6 mil homens’’, afirmou.
O projeto está implantando ainda a distritalização das delegacias de Curitiba -que faz com que qualquer queixa possa ser feita no distrito mais próximo do crime-, a separação da Divisão Policial do Interior em quatro e o remanejamento de pessoal na Divisão de Polícia Metropolitana. ‘‘A situação é tranquila apesar de existirem algumas regiões que mereçam alguma atenção especial’’, disse o delegado-geral.

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