Delegacia ferecerá apoio psicológico
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A partir do ano que vem, as mulheres atendidas na Delegacia da Mulher de Londrina deverão receber atendimento psicológico enquanto estiverem registrando queixa. O serviço faz parte do projeto de revitalização da delegacia, que começou a ser implantado em março deste ano, através de uma parceria entre Secretaria Municipal da Mulher e diversas instituições da cidade. As psicoterapeutas Mirian Elizabeth Perandréa e Maria Cristina PeÀa serão responsáveis pelo atendimento, que para ser colocado em prática vai precisar da ajuda voluntária de outros profissionais.
Mirian Perandréa preside desde 1994 a ONG Núcleo de Terapia Familiar de Londrina, criada para atender mulheres vítimas de violência doméstica na região do Jardim Marabá (Zona Leste). O modelo de atendimento na delegacia deve ser o mesmo. ''Temos informações que nos permitem prever o trabalho. A idéia é criar um grupo operativo para atendimento terapêutico, onde as angústias poderão ser trabalhadas a partir da experiência de outras mulheres. Não descartamos também a possibilidade de formar grupos para atendimento das crianças que acompanham as mães'', explica a psicoterapeuta.
Segundo Mirian, a partir de um primeiro grupo operativo, que seria uma espécie de pronto-socorro psicológico, outros podem ser formados. ''Até porque alguns casos podem necessitar de terapia familiar.'' A psicoterapeuta lembra que hoje as mulheres vítimas de violência que vão até a delegacia são encaminhadas ao Conselho de Assistência à Mulher (CAM), mas muitas não vão, e explica por quê: ''A angústia de ir até a delegacia registrar uma queixa já é muito grande, muitas não têm condições de sair dali e se mobilizar para ainda procurar outro serviço''.
A delegada da Mulher, Paula Francinete Nunes, diz que a intenção é oferecer um primeiro atendimento às mulheres para que elas se sintam mais seguras na hora de registrar a queixa. ''Com esta primeira avaliação, também teremos condições de encaminhá-las para atendimentos especializados se necessário, seja no CAM ou em outro setor do serviço de saúde'', explica a delegada.
As mudanças que vêm sendo implantadas na delegacia são comemoradas pela médica e idealizadora do projeto, Dora Maria Grimaldi. ''O espaço já está com outra cara, mais acolhedora'', diz. A meta agora é conseguir recursos para implantar um espaço para as crianças que acompanham suas mães. ''Vamos procurar parceiros para montar uma brinquedoteca, que seria o local ideal para recebê-las.''


