Delegacia do ambiente
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente em Curitiba deve abrir inquérito policial para investigar o desmatamento de 4 mil hectares de mata nativa no município de Inácio Martins, região Centro-Sul do Estado. Um relatório completo sobre o caso também será encaminhado ao Ministério Público para abertura do processo criminal. A abertura de inquérito foi solicitada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
O desmatamento foi descoberto na última quinta-feira, quando fiscais do IAP vistoriaram uma área de 5,5 mil hectares, a 42 km da cidade de Inácio Martins. A área pertence a madeireira Madeirit, com matriz em Guarapuava, autora da denúncia que desencadeou a operação.
Os fiscais encontraram no local 1,3 mil metros cúbicos de pinheiro, correspondentes a 4 mil toras, na sua maioria de araucária, além de imbuia, xaxim e erva-mate. Estima-se que aproximadamente 6 mil toras já foram roubadas, declarou o chefe do IAP em Irati, Adalberto Carlos Urbanetz.
As 45 famílias que se encontram no local, desde o dia 6 de janeiro, afirmam fazer parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), mas negam qualquer envolvimento com o desmatamento. Apesar disso, o IAP acabou autuando o MST na quantia de R$ 6 milhões, pela exploração e descaracterização da área.
Segundo o coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, não existe nenhuma ocupação do movimento na região. Ele afirma tratar-se de uma operação industrial. A coordenação do movimento no Estado, em nota à imprensa, reiterou a afirmação de Baggio dizendo suspeitar que o grupo de famílias esteja influenciado por madeireiras da região. Acusam também o governo do Estado de estar por trás disso, com o objetivo de desmontar a imagem do movimento.
O diretor-superitendente da Madeirit, Paulo Kirschner, declarou que a hipótese de madeireiras da região fazerem parte desse crime me choca muito, não acreditamos nisso.
Ontem o IAP fez vistoria foi nas madeireiras da região. Só na parte da manhã, nove autos de infração foram feitos. Grande quantidade de pinheiro foi encontrada nas empresas, que não souberam comprovar sua origem. As madeireiras acabaram, em sua totalidade, recebendo uma multa de R$ 44,5 mil.
O presidente da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, Clóvis Borges, faz uma avaliação preocupante da situação. Segundo ele, a história está muito mal contada. Existe uma área de desmatamento extremamente grande para ter sido explorada por apenas 45 famílias.
Borges vai ainda mais longe em sua avaliação. Ele disse ser pouco provável que o MST esteja sendo usado por alguém. Acreditamos que o movimento possa ester atuando em parceria com as madeireiras da região. Segundo ele, o caso merece uma avaliação judicial rigorosa dos órgãos competentes.





