Quando você perde um celular ou tem seus documentos extraviados qual é a primeira providência que toma? Ir até uma delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência? Este deslocamento poderia ser evitado se no Paraná existisse uma Delegacia Digital. Foi observando o grande número de atendimentos na 10 Subdivisão Policial (SDP) que dois policiais civis pesquisaram os benefícios desse serviço no Estado. O escrivão João Emílio Scarpim e a investigadora Sonia Maria Pires chegaram à conclusão que mais da metade dos boletins registrados no plantão da 10 SDP poderia ser realizada pela internet.
Basicamente, a Delegacia Digital serviria para que o cidadão registrasse via on-line os chamados boletins não delituosos (como extravio ou perda de documentos, desaparecimento de pessoas; abandono de lar; infração de trânsito sem lesão, entre outros).
Servidores públicos há mais de dez anos, Scarpim e Pires já atenderam vítimas de pequenos furtos bastante nervosos por terem que se deslocar até a unidade policial para o registro. ''Achávamos que o registro de boletim não delituoso chegaria no máximo a uns 30%, mas, para nossa surpresa, 55% são desse tipo'', comenta Scarpim.
Sônia, que chegou a trabalhar três meses consecutivos no setor de registros de BOs, disse que o dia mais movimentado é a segunda-feira. Segundo levantou a pesquisa, a maioria das vítimas entrevistadas preferiria fazer o procedimento pela internet. ''É mais rápido e as pessoas ganhariam mais tempo. Além do mais, o pessoal da polícia ficaria mais livre para atuar nas prioridades, que são crimes como homicídios, entre outros'', comenta.
Alunos da Escola de Governo do Paraná, os policiais realizaram a pesquisa para a produção da monografia no curso de especialização em Formulação e Gestão de Políticas Públicas, uma parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo os pesquisadores, a Delegacia Digital existe em 14 estados. Eles fizeram ainda uma simulação e chegaram à conclusão que a implantação custaria R$ 447 mil anuais ao Estado. Eles entrevistaram funcionários da Secretaria de Estado e Segurança (Sesp) e também da Celepar Informática, que desenvolve sistemas e programas no Estado. ''O pessoal da Celepar disse que já tem capacidade técnica, estrutural para gerar essa delegacia'', informa Scarpim.
''Como funcionários, nosso objetivo é diminuir o número de pessoas que ficam nos plantões simplesmente para registrar boletins de perda e extravio de documentos. O boletim não delituoso, na realidade, é só uma comunicação. Queremos mostrar ao Estado que a ideia da Delegacia Digital é bem-vinda'', afirma Scarpim.
A FOLHA procurou a assessoria de imprensa da Sesp para saber se o governo tem interesse em implantar a ferramenta. De acordo com a assessoria, a Sesp já estuda a implantação de uma Delegacia Digital, mas não há previsão.

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