Delegacia carece de policiais
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
James Alberti 
A falta de estrutura nas delegacias e o aumento da violência na Região Metropolitana de Curitiba tem em Almirante Tamandaré um termômetro. A cidade possui mais de 750 processos parados na delegacia porque não há policiais para as investigações. A delegacia tem nove presos em duas celas, cuja capacidade é para quatro. Mesmo assim, o que era para ser a nova delegacia dará espaço para a Câmara de Vereadores.
O promotor do município espera providências do governo do Estado, enquanto ouve as reclamações das famílias das vítimas dos crimes. É um mar de impunidade, reclama o promotor Paulo Sérgio de Lima. Segundo ele, a comunidade está revoltada com a falta de punição. Isso porque a promotoria não pode dar sequência aos processos porque faltam testemunhas. E faltam testemunhas porque não há policiais para fazer as investigações.
O delegado Rubens Recalcatti, transferido da 1ª Delegacia de Furtos e Roubos, em Curitiba, para Amirante Tamandaré há cerca de dois meses, não quer falar sobre o assunto.
O secretário de Estado da Segurança, Rubens Abrahão Tanure, disse que o problema só deve ser resolvido no final do ano, quando mais de mil policiais devem ser incluídos por concurso público no efetivo da Polícia Civil do Paraná. Tanure afirmou ainda que, de forma emergencial, seriam enviados agentes para Almirante Tamandaré. Segundo ele, a informação seria confirmada pelo delegado-geral Artur Braga.
A Folha não conseguiu falar com Braga, mas o assessor de gabinete Cláudio Fernandes da Cunha Telles não confirmou a informação. Telles disse que a direção da polícia faz o que é possível. Intenção a gente tem, só que existe carência de pessoal, afirmou.
Segundo Telles, o delegado João Manuel de Siqueira Dias, da Divisão de Polícia Metropolitana, poderia informar se os policiais seriam enviados a Almirante Tamandaré. Siqueira Dias não foi localizado pela reportagem.
Entre os cerca de 750 inquéritos não resolvidos pela polícia da cidade, estão 90 assassinatos. Na verdade os homicidas estão soltos por aí, afirma o promotor. Os homens que mataram o pedreiro Mauro Ferreira da Silva, 28 anos, em 1997, são um exemplo. No processo, a morte teria sido cometida por dois homens, mas não há testemunhas. Na capa do documento só há a inscrição a apurar.
O promotor Paulo de Lima instaurou em dezembro de 1996 um inquérito civil, que pode se tornar uma ação civil pública contra o governo.


