A Delegacia de Crimes Contra a Economia e Defesa do Consumidor (Delcon) instaurou um inquérito contra a empresa de emergência médica Ecco-Salva por omissão de socorro. De acordo com delegado Fauzen Salmen, a demora no atendimento provocou a morte do funcionário público Nivaldo Medvid, de 53 anos. A empresa alega que não houve omissão, mas que o diagnóstico estabelecido no atendimento não caraterizava o caso como emergência. Medvid morreu na noite do dia 05 do mês passado por insuficiência cardíaca, pulmonar e hepática, além de litiase renal (que seria pedra renal). Segundo sua família isso aconteceu porque a equipe de emergência da Ecco-Salva chegou quase três horas depois de solicitada.
Nivaldo Medvid, de acordo com o depoimento da família, teria passado mal por volta das 21 horas, quando tomava banho em casa. Às 21h25, a família comunicou a Ecco-Salva pedindo a vinda de uma UTI móvel. ‘‘Mas foi avisada que o socorro só poderia ser feito em uma hora, quando o estabelecido varia entre 10 a 15 minutos’’, disse o delegado. O funcionário público só foi atendido 0h30, mas morreu antes às 22h10, segundo laudo emitido por um médico particular.
O diretor da Ecco-Salva, Ernesto Lagomarsino, contesta estas informações. Ele afirma que a empresa foi acionada às 21h46, segundo gravação feita no dia incidente, apresentando uma situação que não se caracterizava como emergencial. Na gravação, a família afirmava que Medvid estava com diarréia e fraqueza, sintomas que já duravam 3 dias. Ainda, os familiares pediram que o veículo da Ecco viesse com a sirene desligada.
Lagomarsino diz que a família aceitou, sem contestar, o prazo de atendimento estipulado pela empresa. ‘‘Não houve nova ligação para a Ecco, depois da primeira’’, diz. O diretor da Ecco admite que houve atraso no atendimento, que deveria durar no máximo 1h30. Ele ainda afirma que, independente do caso, a Ecco estaria isenta no contrato de atender quadro que representasse consulta.
Mas o delegado entende que a demora estaria associada a falta de estrutura da Ecco-Salva. Por isso, às 16 horas da próxima sexta-feira (dia 08), a empresa terá que informar a polícia quantas ambulâncias possuiu, o nome e o CRM de cada médico, número de clientes cadastrados, sede e nome de seus diretores. Fauzen Salmen acredita que existam até alunos do sexto ano de Medicina trabalhando como socorristas. Ernesto Lagomarsino, da Ecco, diz que a empresa trabalha com 30 UTI movéis, entre 180 a 200 médicos, que atendem mais 20 mil associados. Ele garante que não existem estudantes atendendo os associados.
O delegado pretende ouvir os órgãos responsáveis pela fiscalização dos serviços de emergência médica. Caso a empresa seja indiciada por omissão de socorro, os seus proprietários podem pegar pena de detenção que varia de um a seis meses, que é triplicada por causa da morte.

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