Delazari anuncia nova companhia para Londrina
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Anúncios foram feitos ontem pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Em entrevista à Folha, ele também explicou os motivos da troca de comando da PM na cidade, disse que é preciso ''oxigenação'' e negou que o pacote de medidas anunciado tenha relação com a proximidade das eleições.
Folha - O que motivou a troca de comando da PM em Londrina?
Delazari - A necessidade de dar uma reestruturada na segurança pública aí de Londrina. O tenente-coronel Palma terminou o curso de formação superior de Polícia e entendeu que estava na hora de fazer um rodízio na carreira. E quando não há interesse pessoal do comandante, não há nenhum sentido dar continuidade ao trabalho dele. E o subcomandante (major Altivir Cieslak), que vinha realizando interinamente o comando, também não respondeu durante esse período. A qualidade do serviço caiu. A nossa idéia é trazer um comandante com espírito jovem, que possa continuar o trabalho que o Palma fez, com uma nova injeção de ânimo.
Folha - Como se deu exatamente a queda na qualidade do serviço à qual o senhor se referiu?
Delazari - Não foi uma queda na qualidade do serviço da polícia, mas no rendimento dele (do subcomandante). É um processo natural de acomodação e desgaste que o próprio exercício do comando acaba trazendo, por isso se exige o rodízio para haver oxigenação.
Folha - O senhor acha que um comandante que vem acostumado com a rotina de um município de menor porte, como Apucarana que tem cerca de 100 mil habitantes pode ter dificuldades para lidar com o grande número de problemas que irá encontrar em Londrina?
Delazari - Acho que não, pelo contrário. Aliás, nunca foi diferente. Nenhum comandante que assumiu Londrina saiu de uma cidade maior. É algo natural. Ainda mais agora que estamos com uma idéia inovadora, específica para Londrina, que é a divisão da cidade nas regiões Norte e Sul e a criação de uma companhia independente na região Norte. Ela será exclusiva para operações policiais, não terá estrutura admistrativa, pesada, que necessite de homens para fazer a máquina burocrática funcionar. Londrina será a primeira cidade do interior a ter uma companhia independente operacional, que divida o policiamento com o batalhão.
Folha - E haverá efetivo policial para dar conta dessa nova companhia, uma vez que para o sistema atual já há insuficiência?
Delazari - Vai. Estamos em treinamento com mais 100 policiais e vamos contratar mais 150.
Folha - Existe também a notícia do plano de criação de um distrito de Polícia Civil na Zona Sul da cidade. O senhor confirma?
Delazari - Sim, é uma demanda de certo tempo. Havia uma dificuldade na sua criação em decorrência da não existência de um imóvel adequado e próprio para locação aí no Parque Guanabara (Zona Sul de Londrina). Nós agora pedimos o máximo de empenho do delegado-chefe, dr. Sérgio (Barroso), e vamos estabelecer o 6º Distrito Policial aí no Guanabara.
Folha - Para esse distrito, também haverá contratação de policiais civis, uma vez que essa também é uma deficiência na cidade?
Delazari - Vai também... Inclusive, recentemente, nós tivemos liberados cerca de 20 novos agentes da Polícia Civil porque contratamos agentes carcereiros para substituí-los nas carceragens das delegacias de polícia. Então, nós temos um efetivo que possa suprir essa necessidade da demanda desse novo distrito.
Folha - Então não há previsão de contratação de novos policiais civis...
Delazari - Nem pode! Estamos em período eleitoral, não existe possibilidade de contratação nesse período. Não há nada que seja vontade minha, há um impedimento legal para isso.
Folha - O senhor já tem estimativa do custo de criação do distrito e da companhia?
Delazari - Não sei estimar, mas isso no momento não tem nenhuma importância. Nossa preocupação é efetivamente com a melhoria da segurança pública da cidade de Londrina. Eu estabeleci 14 programas como o Londrina Segura e foram todas decisões tomadas junto com as autoridades locais. Estivemos aí ontem para uma terceira reunião e a decisão de criar essa companhia independente surgiu nesse encontro, assim como a do reforço do policiamento.
Folha - Por que a decisão de fazer a reunião de portas fechadas, algo que já foi alvo de reclamação de entidades e conselhos de segurança da cidade?
Delazari - Porque isso não é bagunça. Nós temos que ter uma reunião de trabalho, não pode ser transformada em palanque eleitoral. É uma reunião de técnicos. Nós nunca, aliás, fechamos portas para conselho comunitário de segurança. Nunca houve tanto diálogo com esses conselhos como nessa gestão. Só que existem fóruns adequados para cada discussão.
Folha - As medidas que o senhor está anunciando vêm de encontro a anseios que a comunidade vinha expressando há vários anos. O anúncio de um pacote simultâneo de medidas agora pode ter alguma relação com as eleições para o governo estadual, que acontecem daqui três meses?
Delazari - Não, inclusive porque nós estamos mexendo com a realidade da segurança pública há muito tempo. E essas medidas estão relacionadas com a ocasião da relação que se estabeleceu com a comunidade da segurança pública aí de Londrina através das reuniões ''Mãos Limpas''. Foram decisões tomadas em conjunto.


