Um grupo de nove dekasseguis de Londrina e região está tentando reaver junto à Nipomed Franchising Ltda cerca de R$ 400 mil investidos na compra de franquias e ações da empresa nos últimos dois anos. Eles se julgam vítimas de ‘estelionatários’ que venderam participações em empresas de plano de saúde e filtros de água aos brasileiros que trabalhavam no Japão.
Alexandro Ishihara Brito, 27 anos, é um deles. Casado e pai de três filhos ele ‘chora’ os R$ 115 mil que investiu na Nipomed e Top Filter entre o final de 99 e começo de 2000. ‘‘Não era nada daquilo que eles prometeram. A empresa não tem estrutura para garantir o retorno da aplicação. Em seis meses, ganhei apenas R$ 1 mil. Não tenho outra solução senão voltar para o Japão’’, afirmou o dekassegui que embarca sozinho na próxima quinta-feira.
Assim como milhares de brasileiros que trabalham no oriente, Brito juntava dinheiro para voltar ao Brasil e viver com a aplicação de suas economias. Ele pensava em montar uma padaria, mas a possibilidade de ganhar 60% do valor de cada plano de saúde da Nipomed foi tentadora. Segundo ele, os diretores da empresa e o próprio presidente, Tsutomu Matsumouras, fizeram uma verdadeira ‘lavagem cerebral’. ‘‘Acreditamos nos discursos, fotografias e fitas de vídeo que eles nos mostravam. Sempre bem alinhados, afirmavam que o lucro era certo, pois a empresa era sólida e o produto muito interessante. Nada disso é verdade’’, explicou.
Brito chegou a essas conclusões depois de uma tentativa frustrada como vendedor da Nipomed em Londrina. Para ele, o plano não é atrativo porque não oferece convênio com qualquer hospital da cidade ou região e, além da anuidade, o usuário tem que pagar uma taxa por cada serviço que utilizar. O gerente de franquia da empresa, Hélio Futochi Yuasa, admite que a Nipomed passa por dificuldades financeiras e isso pode ter decepcionado os dekasseguis. ‘‘Tínhamos uma estrutura inchada onde as informações se perdiam e prejudicavam os franqueados. Hoje, reduzimos nosso pessoal para atender melhor a todos e negociar as insatisfações’’, justificou.
Apesar das dificuldades, Yuasa adianta que a devolução do dinheiro aplicado pelos franqueados é remota. De acordo com ele, nem todos enfrentam problemas para vender os planos e Londrina é uma das cidades em que a concorrência está impedindo o crescimento da empresa. O gerente de franquia sugere aos desacreditados uma troca com franqueados de outras regiões. ‘‘Estamos abertos a qualquer reclamação e possíveis negociações’’, resumiu.
Conforme Yuasa, a Nipomed possui cerca de 700 mil associados e seis franqueados distribuídos em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondonia, Amazonas, Pará e Rio Grande do Norte.

mockup