Milton DóriaAtay Kato, 73 anos, trabalharia no Japão se fosse mais novoA presidente da Associação Comercial de Assaí, a empresária Irene Yamamoto, diz que a ida dos nipo-brasileiros para o Japão representa perdas incalculáveis para a cidade, principalmente no setor comercial. ‘‘Famílias inteiras foram embora. Eram famílias em boa situação de renda, com filhos nas universidades. Das que retornam, poucas investem na cidade’’. Segundo ela, a maioria prefere investir em centros maiores, como Londrina, onde adquirem imóveis.
Yamamoto acrescenta que além da colônia, a cidade está perdendo também pessoas que foram adotadas por famílias de origem japonesa ou casaram com nipo-brasileiros com o objetivo de irem trabalhar como dekassegui no Japão. ‘‘Proporcionalmente, Assaí é uma das cidades que mais tem sofrido perdas com o fenônemo dekassegui’’, afirma.
O presidente da Liga das Associações Culturais de Assaí (Laca), Cláudio Sato, concorda que o movimento dos dekasseguis trouxe reflexos negativos para a cultura nipo-brasileira. A entidade congrega 13 associações japonesas com sede nas seções rurais do município e mais a Sociedade dos Amigos de Assaí (Sama), que reúne as famílias nipo-brasileiras da zona urbana.
Sato diz que em festas tradicionais da comunidade japonesa, que ainda são realizadas com frequência na cidade, uma das ausências mais sentidas é dos jovens. ‘‘Para a cultura faz falta’’, sintetiza. Mas o presidente da Laca vê vantagens econômicas. Na opinião dele, os cerca de 600 assaienses que fazem ultimamente as constantes viagens de ida e volta entre a cidade e o Japão estão investindo em Assaí. ‘‘No ramo de imóveis tem melhorado. Os dekasseguis têm investido no meio rural e urbano’’.
Milton DóriaTakeyuzo Takei, 65 anos: força de trabalho que não retorna
O empresário Luiz Alberto Vicente, do ramo de beneficiamento de café, acredita que um dos reflexos do êxodo de nipo-brasileiros é na qualidade da mão-de-obra. ‘‘O nissei que sai do emprego para ir trabalhar no Japão tem sempre um bom nível no trabalho’’. Vicente é conhecido em Assaí por ‘‘Mestiço’’. Ele aponta como alternativa para os dekasseguis que estão retornando o plantio de café no sistema adensado.
Atay Kato, 73 anos, o mais antigo comerciante vivo de Assaí, está na cidade há cerca de 60 anos e analisa o movimento dos dekasseguis com otimismo. ‘‘É bom para Assaí porque eles trazem dólar. Se eu fosse mais novo até iria também para o Japão. Não vou porque tem muita gente que foi lá, sofreu derrame e morreu’’.
Kato é filho de imigrantes e só conhece o Japão de ‘‘ouvir falar’’. Quem contava as história sobre o país era o pai dele, que teve a oportunidade de retornar ao Japão por duas vezes. Kato não teve essa chance e diz que gostaria de conhecer o país de seus antepassados. ‘‘Mas como dekassegui não dá, por causa da idade’’, reafirma.
Crítico, o comerciante Takeyuzo Takei, 65 anos, diz que o movimento dos dekasseguis mudou muito a cidade, mas para pior: ‘‘A japonesada saiu muito de Assaí. Até nas ruas as pessoas percebem as mudanças que ocorreram. Além do Japão, tem muita gente de Assaí que foi morar em Londrina’’. Takei acrescenta, porém, que a decadência da cultura de algodão influi também na formação de uma nova característica social e econômica da localidade.
‘‘Quanto aos dekasseguis, eles são uma força de trabalho que sai e não retorna. Os primeiros que foram para o Japão e voltaram ainda investiram na cidade. Isso não acontece mais’’, afirma.

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