Dekasseguis buscam ajuda em escritórios da Nipomed
Diversos brasileiros que moram no Japão estão procurando os escritórios da Nipomed, por carta e também pessoalmente, buscando uma chance para voltar ao Brasil. Eles alegam que estão desempregados e não têm dinheiro para comprar as passagens aéreas. A informação foi dada ontem de manhã em Londrina pelo diretor-presidente da Nipomed, Tsutomu Matsumoras. Ele informou que não tem um número exato de quantas pessoas já procuraram cada um dos 20 escritórios que empresa mantém no Japão, mas garante que o número é significativo.
A Nipomed está colaborando há dois meses com Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibrás) na campanha para resgatar os dekasseguis que perderam o emprego e estão vivendo em dificuldades no Japão. O presidente da empresa, que atua na área de planos de saúde, esteve em Londrina para acompanhar a chegada dos atletas da Seleção Brasileira Juvenil de Beisebol, que realizarão este final de semana partidas na Cidade. A Nipomed é patrocinadora do time.
Tsutomu Matsumoras informou que, por enquanto, a Nipomed está selecionando os brasileiros que estão em maiores dificuldades para depois ajudá-los a voltar para casa. Vamos dar prioridade aos brasileiros doentes, desassistidos. Depois, vamos trazê-los de volta. A gente pretende ajudar no que for possível, diz. Ele acredita que ainda este mês outros três ou quatro brasileiros vão conseguir voltar com a ajuda da empresa.
Por causa do cargo que ocupa, Tsutomu Matsumoras viaja todo mês ao Japão e conhece de perto os problemas vividos pelos brasileiros. Ele destaca, no entanto, que apesar da crise vivida pelos países asiáticos, a situação no Japão não é tão crítica como tem sido divulgado. A crise é administrativa, mas o povo japonês tem dinheiro. Existe realmente desemprego, algumas empresas quebraram, mas o país vai melhorar, acredita.
O presidente da Nipomed diz também que considera grave o problema vivido por brasileiros no Japão e que alguns realmente estão vivendo debaixo de pontes, em situação precária. Mas observa que muitas vezes há um certo exagero nas notícias publicadas na imprensa. Na verdade é uma minoria de brasileiros que estão em dificuldades, e não milhares como chegaram a dizer. As famílias que estão no Brasil não precisam ficar em desespero.
Tsutomu Matsumoras diz ainda que o grande problema vivido hoje no Japão pelos migrantes é o fantasma do desemprego. Quando perdem o emprego, geralmente também perdem o alojamento e a assistência médica, destaca. Somando esse fato com a dificuldade de lidar com a língua, a situação se torna ainda mais grave e muitas vezes leva a pessoa direto para a criminalidade.
Para reverter a situação, o presidente da Nipomed acredita que é importante a participação de outros empresários brasileiros na ajuda aos dekasseguis em dificuldades. Quando você vê um brasileiro longe do país, vivendo em dificuldades, é muito triste. Por isso estamos ajudando na campanha. Outros empresários também devem ajudar, diz.
Em dois meses, Operação Resgate, promovida pela Asibrás e com apoio da Nipomed - além da Vasp, que deu desconto nas passagens -, já trouxe 12 dekasseguis de volta ao Brasil, cinco deles de Londrina. No último mês, a Folha também lançou uma campanha - SOS Dekasseguis - para dar apoio jornalístico aos trabalhos da associação.Paulo WolfgangAjudaO presidente da Nipomed, Matsumoras: Doentes têm prioridadeLúcio Horta





