A Associação de Apoio aos Dekasseguis (AAD) pretende lançar, em dois meses, um manual de sobrevivência para o migrante que for trabalhar no Japão. O livro de instruções deve contar com noções básicas sobre agenciadores de emprego e também especificar sobre garantia trabalhista e forma de conseguir ajuda em território japonês. ‘‘São frequentes as situações de conflitos entre brasileiros e japoneses, muitas vezes resultado das diferenças culturais, mas em outras vezes provocadas pela má-fé das agências de empregos’’, informou o advogado Etsuo Ishikawa, que trabalha numa assessoria jurídica para dekasseguis em Hamamatsu, Japão.
Etsuo Ishikawa, que esteve em Curitiba na última quinta-feira, conta que diariamente presta entre 15 a 20 consultas a brasileiros com alguma queixa envolvendo trabalho ou relacionamento com japoneses. ‘‘Tudo isso é provocado pela falta de identificação entre as duas nacionalidades, que não conseguem entender a cultura do outro e estabelecer um diálogo’’, avaliou Ishikawa, que é brasileiro.
O advogado contou que o dekassegui se sente isolado por não conseguir se comunicar. ‘‘E nessa situação ele acaba sendo enganado, porque não entende o que o seu patrão fala’’, disse. Ishikawa diz que o migrante, na maioria das vezes, acaba ganhando menos do que os agenciadores prometem. No primeiro salário, tem descontado o valor da passagem de avião. ‘‘Além deste ato ser ilegal, o maior problema é que o desconto ultrapassa em muito o valor pago por uma passagem ao Japão’’, disse o advogado. Isso acontece porque no desconto estão embutidos custos das agências.
‘‘Mas o problema do dekassegui não começa no desconto do salário, mas na saída do Brasil’’, disse a advogada Lilian Yuriko Hirae, assessora jurídica da Associação de Apoio aos Dekasseguis. Quando o brasileiro está prestes a embarcar para o Japão, a empresa força a assinatura de uma nota promissória de valor duvidoso, muitas vezes superior ao valor das passagens. ‘‘Neste momento, o trabalhador fica numa situação complicada, porque se desfez de bens e emprego para arriscar a vida no Japão e, por isso, não tem opção de mudar de posição’’, disse Lilian.
Essa promissória acaba servindo de arma para as agências e empregadores japoneses. Quando o brasileiro se cansa de ser enganado e quer voltar ao seu país, eles ameaçam executar a nota promissória no Brasil, sujando o nome dele. ‘‘Ele acaba não tendo como voltar atrás e continua no trabalho até o fim do contrato’’.
Ishikawa disse que para resolver este problema seria preciso uma ação governamental. ‘‘O Japão precisa dos 230 mil brasileiros que trabalham nas fábricas, mas, ao invés de proporcionar melhores condições aos migrantes, abriu apenas meia-porta, legalizando apenas o direito de trabalho ao estrangeiro’’.Marcelo AlmeidaSocorroO advogado Etsuo Ishikawa trabalha numa assessoria jurídica para dekasseguis em Hamamatsu, no JapãoCartilha será lançada dentro de dois meses, para ensinar imigrantes a lidar com os agenciadores e como obter ajuda
Advogado atende entre
15 a 20 brasileiros
por dia com queixa
de trabalho

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