Dekassegui tem apoio para investir
Maigue Gueths
De Curitiba
A estimativa é de que existem, no Japão, aproximadamente 230 mil dekasseguis. Destes, entre 40 a 45 mil são paranaenses. A cada mês, entretanto, esta legião é acrescida de mais 30 novos dekasseguis, que chegam aquele país oriental a procura de oportunidades de emprego, que garantam uma renda maior do que ganhavam no Brasil.
Mas, enquanto há uns dez anos os dekasseguis conseguiam economizar uma boa quantia em apenas um ou dois anos de trabalho no Japão, hoje, depois da crise que assolou a Ásia em outubro do ano passado, a realidade é diferente. Com o desemprego de 4,6% no Japão, acabaram-se as horas-extras e os dekasseguis estão tendo que trabalhar entre cinco a até dez anos para poder voltar ao Brasil com capital suficiente para investir na compra de um imóvel e abrir um negócio próprio.
A história é repetitiva. A maioria foi, voltou com um capital, abriu um negócio, não deu certo e voltou de novo para trabalhar e guardar mais dinheiro, conta o vereador Ruy Hara, presidente da Associação de Apoio aos Dekasseguis no Paraná. A entidade, aliás, foi criada em agosto de 97 não apenas para dar orientação a quem viaja e à família que fica, mas principalmente para dar assistência aos dekasseguis que chegam ao Brasil com um capital na mão, mas sem idéia nenhuma de como aplicá-lo.
É comum o dekassegui montar seu negócio e perder tudo, diz Edson Imoto, responsável pelo Departamento de Apoio Empresarial da Associação. Entre as quatro a cinco pessoas que buscam apoio na entidade diariamente, pelo menos um ou dois pedem assistência empresarial. Muitos, segundo ele, montam um negócio ou compram um estabelecimento já existente, ficam um ou dois anos, mas acabam fechando porque não têm perfil, não têm estratégia para o negócio. Atualmente, a Associação tem procurado orientar os dekasseguis, seguindo a tendência de pensamento empresarial, segundo Imoto, de que o ideal seria agregar o máximo de capital e investir em empresas de porte. Com este pensamento é que a Associação acabou criando, em julho de 98, a Dekasseguis S.A. (Desa). Trata-se de uma sociedade anônima, que congrega 142 pessoas, com cotas mínimas de R$ 2,5 mil. Com um capital arrecadado de R$ 455 mil, a Desa fez seu primeiro empreendimento: adquiriu uma loja da franquia 10 Pastéis, localizada na esquina das ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco, e estuda novas oportunidades de negócios.
Segundo Ruy Hara, um dos objetivos da Desa é permitir que o dekassegui não precise investir todo seu capital num empreendimento único. Ainda não há planos de expansão, mas a expectativa é de que a sociedade seja ampliada, recebendo novos cotistas. A associação vem sendo procurada neste sentido principalmente por pesoas que ainda estão trabalhando no Japão, mas querem investir no Brasil.
Não se sabe, ao certo, quanto cada dekassegui consegue economizar no Japão. Imoto calcula que os dekasseguis que voltam ao Brasil, hoje, têm entre R$ 35 mil a R$ 100 mil, dependendo de onde trabalhavam e quanto conseguiram economizar em sua estadia. Com isso, os 230 mil descendentes de japoneses trazem ao Brasil cerca de R$ 1,6 bilhão ao ano. Este número, segundo Hara, já chegou a R$ 4 bilhões antes da crise asiática. Ainda podemos aumentar muito o número de negócios e o número de pessoas beneficiadas, diz Hara.
O presidente da Associação lembra, ainda, outras dificuldades enfrentadas pelos dekasseguis. Eles têm muita dificuldade de se entrosar à sociedade de novo, diz.





