Deixados em um leito manicomial
Curitiba - Com a Lei Antimanicomial Nº 10.216, de abril de 2011, os pacientes psiquiátricos, abandonados pelos familiares havia anos, tiveram de voltar aos seus lares. Dessa forma, houve um esvaziamento e até desativação de alguns hospitais. Mas mesmo depois de tantos anos de mudança da legislação, ainda é possível encontrar pacientes asilares em unidades psiquiátricas.
No Hospital Nossa Senhora da Luz (NSL), de Curitiba, ainda existem mais de dez pacientes que vivem na unidade, alguns estão abandonados há 20, 30 anos. Diante de tanto tempo aguardando que alguém da família fosse buscar, alguns, que não tinham a sanidade mental tão comprometida quando foram internados, acabaram sofrendo piora no quadro. ''Os pacientes não aguentam o estresse diário da espera. É algo muito sofrido e isso contribui para a piora do quadro deles'', explica o psicólogo do NSL, Tiago Rafael Wentzel.
Seu Nilton, como é conhecido no NSL, tem 63 anos e foi abandonado no hospital há pelo menos 20 anos. Segundo o psicólogo, as únicas informações sobre o asilar são de que ele nasceu em Pernambuco e veio ao Paraná a trabalho e para encontrar parentes. ''Sempre que o serviço social tem notícias sobre algum familiar de paciente, faz de tudo para ir atrás e tentar uma reaproximação. Foi assim que vários outros voltaram para casa'', comenta.
Wentzel ressalta ainda que outros casos de asilares estão sendo acompanhados de perto pela direção do NSL, mas que há situações em que os familiares resistem a levar seus parentes para casa porque alegam não ter condições. Tem um processo, inclusive, que está na Justiça. (A.F.)





