Definido júri de garçom
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 1998
Marcos Zanatta 
Marcos NegriniBíbliaJamir
Vieira
matou o
menor
para
extorquir a
família
do patrão;
na prisão,
converteu-se
e agora
prega a
Bíblia
para os
outros
presosO Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) acatou o pedido de transferência do julgamento do ex-garçom Jamir Valentin Vieira, 24 anos, acusado de ter matado e incinerado o estudante Cleudison Bernardi, em junho de 96, no Posto Querência, em Sarandi (7 km de Maringá). O pedido foi feito pelo advogado de defesa, Carlos Eduardo Buchweitz, que alegou falta de segurança para a realização do julgamento em Sarandi. Vieira será julgado no Fórum de Maringá.
Buchwetiz diz que em Sarandi não existe local adequado para o julgamento, e ressalta que, na cidade, o réu não teria nenhuma chance de defesa. O crime chocou profundamente a população, lembra. Segundo o advogado, ainda não há data definida para o julgamento, que deve acontecer no primeiro semestre deste ano. Vieira está preso na cadeia de Sarandi, depois de passar mais de um ano em Jandaia do Sul, para onde foi transferido por medida de segurança.
O crime aconteceu no dia 10 de junho de 96, quando Vieira matou Cleudison e jogou o corpo em uma caixa de gordura da churrascaria onde trabalhava. O pai do estudante era patrão do acusado. No dia seguinte ele fez o primeiro contato com a família, pedindo um resgate de R$ 120 mil. No dia 15, com receio de ser descoberto por causa do forte cheiro que saía da caixa de gordura, ele queimou o corpo de Cleudison na churrasqueira e jogou as cinzas na horta do restaurante.
Dois dias depois o garçom voltou a procurar a família e no dia 18 de junho acabou confessando o crime depois de ser convocado a depor na polícia. No quarto onde morava, nos fundos da churrascaria, Vieira mantinha anotações sobre o crime, incluindo onde deveria investir o dinheiro do resgate. No dia 11 de julho, ele confessou o crime na Justiça e, durante o período que está na cadeia, se converteu, tornou-se evangélico, e agora prega a Bíblia para os outros detentos.


