Déficit de leitos de UTI chega a 25% na região
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terça-feira, 16 de agosto de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Faltam leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) em Londrina. A constação feita na prática por pacientes e seus familiares, agora é consenso também entre os gerenciadores e prestadores do serviço. Ontem pela manhã, na sala de reuniões da Câmara Municipal, a Comissão de Seguridade Social do Legislativo, apresentou relatório sobre a situação.
Responsável por atender uma população com 1,8 milhão de pessoas da macrorregião, a 17 Regional de Saúde tem um déficit de 20% a 25% - o que faz com que a crise no sistema seja constante, alimentando ainda a fila de pacientes que esperam por cirurgias eletivas e que precisam de internação em UTI.
Para a comissão, a solução do problema, além de técnica, é política. Uma das propostas apresentadas é a ampliação de leitos. Outra medida, paliativa, também foi sugerida pelo Secretário Municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, e consiste na compra de respiradores (que custa em média R$ 35 mil).
Os aparelhos atenderiam a demanda dos hospitais num esquema de revezamento, conforme a necessidade. A sugestão seria apresentada ontem à tarde ao Conselho Municipal de Saúde, que deliberaria sobre a questão.
Fernandes apresentou a proposta depois do anúncio da Irmandade Santa Casa de Londrina (ISCAL) de que nos próximos 90 dias estará inaugurando nove novos leitos de UTI. Os representantes do Hospital Evangélico disseram que estão trabalhando no limite e que mais equipamentos, como respiradores poderiam ajudar a atender uma demanda maior pacientes.
A comissão analisou as informações de ocupação dos leitos durante a primeira semana de junho, observando uma média de 28,4 pacientes internados por dia para 28 existentes na ISCAL.
Para os 16 leitos do Hospital Universitário (HU) observou-se uma média de 16,8 pacientes internados e, no Hospital Evangélico, a lotação foi de 100% dos leitos disponíveis no mesmo período.
O relatório apresentado pela comissão concluiu que, considerando a população londrinense (473.741 habitantes), o número de leitos - 239, sem discriminação entre Sistema Único de Saúde e particulares - é suficiente. Porém, quando a cota é apenas para o SUS, esse número cai para 197 leitos. Ao se levar em consideração os pacientes da macrorregião, os leitos acabam sendo insuficientes, o que gera déficit em torno de 20% a 25%.
Serviços de alta complexidade, como cirurgias cardiovasculares, neurológicas e de nefrologia e infectologia acabam se concentrando em Londrina, gerando uma maior demanda.
O relatório aponta que muitos pacientes poderiam ter indicação de leitos semi-intensivos ou de cuidados intermediários, mas estariam ocupando os de UTIs pela falta destes nos hospitais. Constatação que Sílvio Fernandes complementou:
''Não pode ter receio de fazer um debate sobre esse assunto, que é até mal interpretado pela imprensa. É importante que o país discuta sobre critérios para a utilização de UTIs. Londrina, por exemplo, tem um programa de internação domicilar, que atende pacientes em casa, muito melhor do que se estivesse hospitalizado, aliviando e humanizando o atendimento. Não estamos falando em economia, mas levando em consideração a humanização do tratamento. Chegam até nós denúncias de que pacientes da região estão nas UTIs sem precisar. As denúncias são tão frequentes que devem ser verdadeiras'', afirmou Fernandes.
Entre as propostas apresentadas pela comissão, a mais importante é a ampliação de leitos. ''O primeiro ponto é que existe um consenso sobre essa necessidade. Se temos esse relatório, então o que fazer para mudar a realidade? É preciso pensar em conjunto. Para que isso aconteça, o HU precisaria de uma equipe nova de intensivistas e de auxiliares. Tenho tido alguns contatos com intensivistas pediátricos e neonatais, que me disseram que já apresentaram um projeto de revitalização das UTIs. Precisamos verificar qual impacto que teria na questão de pessoal. Não significa ter que começar do zero. Sobre a UTI de adultos também estão sendo feitas discussões no HU. Porém, é preciso que haja uma decisão política'', avaliou o secretário.
Representantes do HU na reunião informaram que um projeto arquitetônico de UTI neonatal já foi encaminhado ao Governo do Estado e que uma reforma no setor de adultos poderia suprir a necessidade de 10 leitos. A neonatal poderia ser aumentada para 30 leitos, que atenderia, inclusive ao semi-intensivo e cuidados intermediários.
Outra proposta é que a ampliação no número de leitos deva ocorrer no HU, na ISCAL e no Evangélico em função de serem credenciados para alta complexidade. Também foram sugeridas análise e discussão com planos de saúde para definição de critérios uniformizados de indicação de UTI e de auditoria, o que possibilitaria aos pacientes condições iguais de acesso aos leitos.
O relatório ainda propõe a revisão de protocolo médico para indicação de leitos de UTI, conforme a gravidade do paciente e a complexidade do leito. Exemplificando, a chefe da 17 Regional de Saúde Vânia Gutierrez reforçou a sugestão: ''Estamos fazendo um trabalho de auditoria com a Secretaria de Saúde, mas temos dificuldades já que não existe um instrumento que possibilite a auditoria rápida sobre recomendação de UTI. Quando o médico assistente indica UTI, poderia também preencher um documento, explicando porquê está a unidade. Que fique disponível para o serviço de auditoria'', afirmou Vânia.


