Uma parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto dos Cegos de Londrina torna possível, pela primeira vez, que três deficientes visuais frequentem as aulas do Curso Especial Pré-Vestibular da UEL (CEPV) desde março. Todo o conteúdo das aulas é adaptado por meio de um programa de computador que transforma as informações em um arquivo de voz.

Já as redações produzidas pelos deficientes visuais são transcritas do Braile para o Português e depois encaminhadas para correção. A expectativa é que outros deficientes visuais também sejam atendidos ao longo deste ano. Na avaliação da diretora do CEPV, Rita de Cássia Rodrigues de Oliveira, os alunos já estão adaptados à rotina de aulas do cursinho.

"O comprometimento deles com as aulas chama atenção de todos. Sem dúvida a experiência só traz benefícios", disse Rita. A iniciativa também é uma oportunidade de trazer os alunos para o Campus Universitário, conforme aponta Rita de Cássia. Ela ainda lembra que a própria Coordenadoria de Processos Seletivos (COPS) oferece a prova em Braile para candidatos com deficiência visual.

O aluno Leonardo Massaroto Crema, 20 anos, que cursou o Ensino Médio no Colégio Vicente Rijo, e grava todas as aulas para depois ouvir em casa. Segundo ele, a adaptação à rotina de aulas do cursinho foi rápida. Ele ainda está em dúvida para qual curso tentar uma vaga. "Será Jornalismo ou Direito, ainda não decidi", completou. Leonardo perdeu a visão após um deslocamento de retina aos 16 anos de idade. O jovem faz parte da dupla sertaneja "Lucas e Leo", que já gravou um CD e faz show em várias cidades até fora de Londrina.

Já o aluno Alef Campus Garcia, que nasceu prematuro e perdeu a visão de maneira gradativa, compara as aulas do cursinho com as aulas do Ensino Médio. "Prefiro as aulas o cursinho, porque o professor fala do começo ao fim", apontou. Além do cursinho, ele frequenta as aulas de Braile do Instituto dos Cegos de Londrina, onde também atua como voluntário dando aulas de Informática para outros deficientes visuais.

Alef vai tentar uma vaga no curso de Psicologia, mas já acumula outras conquistas. No ano passado, ele ficou em quinto lugar na Olimpíada do Conhecimento, na categoria deficiente visual, com tema Tecnologia da Informação. Ele inclusive esteve em Brasília, na cerimônia de entrega dos prêmios, que contou com a presença da presidente Dilma Rossef.

"A força de vontade deles é um exemplo e um incentivo para os demais alunos. É uma experiência fantástica", resume a professora de Filosofia do CEPV, Débora Teixeira Moreira, que ainda ressalta a inteligência e a curiosidade dos alunos. Já o professor de Artes, Ricardo Rafalski, que já foi aluno do cursinho e hoje está no segundo ano do curso de Artes Visuais, conta que a aula é montada de acordo com as necessidades dos deficientes visuais. "É uma aula que aumenta a interação entre professor e aluno", afirmou.

Só no último Vestibular da UEL o Curso Especial Pré-Vestibular da UEL aprovou 155 candidatos. Segundo informações da direção do cursinho, a média de aprovação é de 35%. Hoje o cursinho criado em 1996 atende 550 alunos e 42 professores, todos alunos dos cursos de graduação da Universidade. As aulas são nos períodos vespertino e noturno.

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