Josoé de CarvalhoEncontro reuniu deficientes visuais de 22 cidades do EstadoPortadores de deficiência visual e representantes de entidades que atuam na área pretendem entregar ao Governo do Estado um documento cobrando maior empenho na produção de material didático em braille, a ser utilizado nas escolas públicas. O problema enfrentado por deficientes visuais nas salas de aula foi um dos assuntos debatido no encontro que terminou ontem em Londrina.
Reunidos no Caic do Jardim Santiago, zona oeste, 47 portadores de deficiência visual de 22 cidades do Estado analisaram as principais dificuldades enfrentadas pelos cegos. ‘‘A falta de material adaptado impede que a criança e o adolescente tenham acesso à escola regular, como preconiza da Lei de Diretrizes e Bases’’, critica o presidente da Fundação de Assistência à Criança Cega de Curitiba, Janir Elias.
O presidente da fundação afirma que o problema é mais grave a partir da 5ª série, quando há maior necessidade de acesso aos livros. ‘‘O Estado tem condições de confeccionar esse material em braille mas não se empenha nisso’’, diz ele.
O presidente da Associação de Deficientes Visuais de Londrina, Rolândia e Cambé, José Katsuki Umebara, pretende fortalecer o movimento de reivindicação, buscando a solução dos problemas. ‘‘Temos necessidades nas área do trabalho, educação, lazer além do que consideramos mais grave, que é a discriminação social e familiar’’.
De acordo com Umebara, os deficientes visuais têm condições de desenvolver atividades em casa, esportivas e no trabalho. ‘‘O problema é que o mercado de trabalho já está difícil para quem tem visão, imagine para deficientes’’, compara. De acordo com o presidente, a lei que garante o emprego de portadores de deficiências em órgãos públicos não é totalmente cumprida. Mas a barreira maior, ele diz, está dentro de casa. ‘‘Tratar o deficiente como um coitadinho, fazer as coisas por ele, impedem o seu desenvolvimento e o torna dependente’’.

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