Deficientes visuais aprovam bebedouro
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Os alunos do Instituto Roberto Miranda, de Londrina, foram os primeiros a testar o bebedouro para deficientes visuais. O aparelho tem um sensor que avisa quando o copo está cheio e foi criado por quatro alunos do 2º ano do curso de Engenharia Elétrica da Unopar, a partir da proposta de levar para a prática os conceitos de cálculo integral. Além do equipamento, foi criado também uma simbologia para ser aplicada no piso tátil, indicando o bebedouro especial.
Altamiro Inácio de Almeida perdeu a visão há oito anos e foi o primeiro a usar o aparelho. Depois de algumas instruções, ele conseguiu encher o copo, sem derramar. "Achei bem bacana e não é difícil de usar. Gostei bastante. Cada dia a gente aprende um pouquinho mais", afirmou.
Além da deficiência visual, Alex Junior Ribeiro tem também deficiência intelectual. Ele conta que sempre precisa pedir ajuda das pessoas quando está em um local público e quer beber água ou usar o banheiro, mas que o aparelho adaptado ajudaria bastante em sua autonomia. "Achei bem legal e fácil de usar, com certeza deveriam colocar em todos os lugares", atestou.
Lúcio Antônio Brandão é cego desde nascimento e cedo precisou aprender a viver em um mundo não preparado para suas necessidades. Segundo ele, na prática, a acessibilidade melhorou quase nada. "As pessoas colocam o piso tátil por medo de serem multadas, mas fazem tudo errado e nem se importam", criticou. Por isso, ficou feliz com a invenção e com a preocupação dos rapazes em desenvolver o bebedouro adaptado. "Achei bom. Como toda novidade precisa de um pouco de treino, mas na segunda vez já irei usar tranquilamente. Antes eu esperava um certo tempo para tirar o copo, às vezes acontecia de derramar. Espero que eles tenham sucesso e que muitos aparelhos sejam vendidos", disse.
A diretora do Instituto, Ivone Gomes da Rocha Galdino, explicou que em geral as pessoas com deficiência visual percebem pela mudança de temperatura no copo se o mesmo já está cheio. "A percepção dos líquidos é gradativa. Depende do peso do copo, da textura, do tamanho. Algumas pessoas precisam inclusive aprender a usar o copo descartável, porque colocam muita força e acabam amassando-o. Não ensinamos a colocar o dedo na borda porque não é higiênico, principalmente se você for servir outra pessoa", ressaltou.
O aparelho ficará durante alguns dias na instituição, para que possa ser aperfeiçoado através das sugestões dos usuários. Uma das modificações é a regulagem do sensor, para que não acione o fluxo de água quando alguém passa a mão sobre ele, um gesto instintivo de quem tem contato com o aparelho pela primeira vez.
Gratificante
O bebedouro adaptado foi criado pelos alunos Josiel Machado Bonfim, Éder Goularte Ferreira, André Sérgio da Silva e Paulo Henrique Ranutti, sob supervisão dos professores Valdemir Antunes, Tiago Dutra Galvão e Jenai Cazetta Oliveira. A ideia para o aparelho surgiu durante uma madrugada, quando Josiel foi tomar água no escuro. "Eu fiquei pensando como um deficiente visual faz para perceber que o copo já está cheio. Aí passei a ideia para o grupo, conversamos e fomos construindo o bebedouro", conta.
A invenção, que já foi patenteada, custou em torno de R$ 650 e levou dois meses para ficar pronta. Quando se coloca o copo no bebedouro um sinal sonoro indica que o aparelho identificou o recipiente e a água começa a cair. Quando o copo está cheio três bipes indicam que o processo foi finalizado. Caso a pessoa se distraia e não retire o copo, vários bipes sem intervalo chamam a atenção do usuário.
"É gratificante estar aqui e vermos que o bebedouro pode facilitar a vida das pessoas. Gostaríamos de fazer outras unidades para serem instaladas em locais públicos", destacou Paulo. A ideia agora é que o aparelho seja produzido em larga escala e que Londrina seja pioneira no uso. Segundo os alunos, podem ser feitos tanto aparelhos novos como a adaptação de um aparelho que a pessoa já tenha em casa.
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