Londrina

César AugustoNa piscinaA treinadora Daniela e a atleta Aparecida: reação surpreedenteDuas atletas da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) conseguiram índice para participar do Campeonato Brasileiro Paradesportivo de Natação, entre os dias 12 e 16 deste mês, em Natal (RN). O fato é considerado surpreendente, já que há pouco mais de um ano, Aparecida Ruela, 47 anos, e Zeila Batista de Oliveira, 33 anos, nem sabiam nadar. Mas, a menos de 15 dias da competição, as atletas, únicas representantes de Londrina, ainda lutam para conseguir patrocínio e viajar.
Aparecida Ruela e Zeila de Oliveira começaram a fazer hidroterapia no início do ano passado, na Associação Cristã de Moços (ACM), através de convênio com a Adefil. Antes disso, elas nunca haviam praticado nenhuma atividade física. ‘‘Tinha medo da água’’, confessa Aparecida Ruela. Em abril deste ano, um grupo de deficientes passou a treinar duas vezes por semana, no Londrina Country Club, visando participar de competições de natação.
Apesar do pouco tempo que tiveram para treinar, o grupo conseguiu resultados considerados excelentes, na Regional Sul de Natação, realizado em agosto, em Curitiba, e que reuniu atletas dos três Estados do Sul e São Paulo. Os oito atletas da Adefil conquistaram 18 medalhas, as duas obtiveram índice para competir no campeonato brasileiro e a Adefil ficou em 4º lugar na classificação geral.
‘‘Tínhamos uma boa expectativa, mas não esperávamos voltar com índice para o Brasileiro’’, revela a treinadora da equipe, Daniela Gardano Bucharles. Aparecida Ruela confessa só esperava completar a prova. ‘‘A minha intenção era competir e não passar vergonha’’, afirma.
Aparecida Ruela irá disputar três provas no Brasileiro (50 metros costas e livre e 100 metros costa), na categoria S3, enquanto que Zeila de Oliveira conseguiu índice para as provas de 50 e 100 metros livre, na grupo S6. Daniela Bucharles explica que a competição paradesportiva não é dividida em idades, mas em grau de limitação do atleta. Assim, quem se enquadra no S1 é o que apresenta um comprometimento grande dos braços, tronco e pernas - possui movimentos mínimos nos membros superiores. O atleta que fica no S10 tem menos comprometimentos.
Desde que ficaram sabendo da classificação para o campeonato brasileiro, as atletas e a treinadora têm lutado para conseguir um patrocínio. Daniela Bucharles explica que a organização do evento se encarrega da hospedagem e alimentação, mas o transporte até Natal é por conta do clube. Segundo ela, cada passagem (ida e volta) para a capital do Rio Grande do Norte custa entre R$ 800,00 e R$ 900,00.
Daniela Bucharles diz que será uma pena se Londrina deixar de ser representada na competição. ‘‘Já foi uma luta conseguir patrocínio para ir competir em Curitiba. E agora estamos enfrentando a mesma dificuldade’’, lamenta. Superado o problema do patrocínio, a treinadora diz que as duas atletas podem obter boas colocações no campeonato.

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