Curitiba - Adolescentes conversando por sinais, deficientes visuais tateando a calçada de petit pavê com suas bengalas, pessoas de todas as idades com deficiências mentais dos mais variados graus e outros tantos em cadeiras de rodas. Foi essa a imagem que cobriu a rua XV, no centro da capital paranaense, ontem de manhã, quando aproximadamente 1,5 mil pessoas com deficiência - auditiva, visual, mental ou motora - participaram de uma caminhada pelo centro da capital, em comemoração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que é lembrado mundialmente em 3 de dezembro.
Este ano foi a primeira vez que a capital paranaense se integrou à programação do dia, que também previa manifestações em Brasília, São Paulo e Goiânia. Organizada pela Assessoria Especial de Apoio à Pessoa com Deficiência, vinculada à Prefeitura Municipal de Curitiba, e pela Pastoral da Pessoa com Deficiência, a manifestação teve como tema a ''Acessibilidade Universal Já!'', em referência aos maiores problemas que os deficientes encontram.
''O mais complicado é a acessibilidade, seja visual, de comunicação, aquitetônica, de transporte ou de acesso ao mercado de trabalho'', explica Irajá de Britto Vaz, da Assessoria Municipal, que fala com o conhecimento de quem também é deficiente físico. ''A sociedade tem que se preparar para servir a todos. O que serve para você, serve para mim'', complementa Mauro Nardini, presidente da Associação de Deficientes Físicos do Paraná e membro do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência.
O padre Ricardo Hopers, da Pastoral da Pessoa com Deficiência chama atenção para outro problema sério: o preconceito. ''É preciso dizer à sociedade que não precisamos de preconceito. A pessoa com deficiência pode viver muito bem, ela só precisa de dignidade'', afirma.
Estimativa da Organização Mundial de Saúde dá conta de que 14,5% da população tem alguma deficiência. Isso significa que 23 milhões de brasileiros, sendo 1,5 milhão no Paraná e 270 mil na Grande Curitiba têm algum tipo de deficiência e, consequentemente, convivem com algum tipo de problema. ''Já caí duas vezes na rua por causa desses carrinhos de papel'', diz Maria Erlita, 56 anos, que participou da caminhada de braços dados com Cleide dos Santos, 24, ambas deficientes visuais. Elas contam que as maiores dificuldades são calçamento mal feito, e objetos no meio do caminho, como telefones públicos, por exemplo.
Para Renata Souza da Silva, 12 anos, deficiente auditiva, a acessibilidade envolve outras pessoas. Seu maior problema é comunicar-se com quem não conhece a linguagem dos sinais. A maioria não tem paciência para falar devagar o suficiente de modo que ela possa fazer a leitura labial. ''Na escola eu tenho ajuda, mas fora é complicado'', diz ela, que além da 4 série do ensino regular, também frequenta a Escola Epheta, uma das 40 escolas especiais e instituições que participaram da caminhada.
Antonio Sérgio Madrid, 45 anos, deficiente físico desde os 12 anos, diz que ''já houve avanços'', mas é necessária ainda muita intervenção pública e privada para aumentar a acessibilidade dos deficientes, que contam, hoje, principalmente com apoio familiar e de voluntariado. ''Minha vida toda foi vencendo barreiras. Vi que é preciso se colocar diante da sociedade''.

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