A Comissão Central do Concurso Vestibular (CCCV) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) montou seis bancas especiais para candidatos portadores de necessidades especiais. Há 22 concorrentes com deficiência visual no vestibular 2000 da UFPR. Desses, 21 estão em Curitiba e uma faz o concurso em Pato Branco.
Esse é o primeiro vestibular com o sistema de provas informatizadas para cegos. ‘‘Adotamos um programa desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro chamado Dos Vox para os deficientes que quiserem usar esse tipo de instrumento’’, explica o professor José Roberto Cavazzani, coordenador das bancas especiais no vestibular. Dos 21 deficientes visuais concorrentes em Curitiba, nove são totalmente cegos. Desses, três optaram pelo Dos Vox. A maioria preferiu a prova verbal.
Para os deficientes com visão parcial, a CCCV fez provas ampliadas e permite o uso de lupa e outros instrumentos que ajudam na realização das questões. Nenhum deficiente visual optou pela prova em braile. ‘‘Há pouco tempo o sistema de educação secundária começou a investir no ensino do braile para deficientes visuais, por isso os vestibulandos ainda preferem as provas verbais’’, explica o professor Cavazzani.
O candidato Clodoaldo Veríssimo de Oliveira, 29 anos, deficiente visual, conhece o método de leitura em braile, mas preferiu o Dos Vox. ‘‘No computador eu vou mais rápido e só saio de uma questão depois que ela estiver totalmente concluída’’, afirma. Esse é o terceiro vestibular de Clodoaldo. Os dois anteriores ele tinha feito em braile.
Além do programa Dos Vox, que dita as questões para o candidato, há anexos que ajudam no entendimento. Todos os mapas, fórmulas, tabelas e estruturas químicas ficam em anexo e o deficiente visual tem a possibilidade de sentir as estruturas pelo tato. ‘‘O programa foi usado pela primeira vez no último vestibular de inverno da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e agora fizemos apenas algumas adaptações’’, conclui o professor.(E.C.)

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