Não só os adolescentes infratores têm oportunidades de trabalhar com a argila para desenvolver o gosto pela arte e a capacidade de concentração. No ateliê da Universidade Estadual de Maringá (UEM), os portadores de deficiências que necessitam de educação especial - deficientes físicos e mentais - também participam de atividades diversas, cujo objetivo maior é trabalhar com a potencialidade dos alunos de uma maneira lúdica.
A coordenação dos trabalhos no ateliê é feita pela professora Vera Guhur, do departamento de Teoria e Prática da Educação. ‘‘Oferecemos cinco opções de atividades diferentes das que eles são acostumados a realizar nas escolas ou em casa’’, diz. Além de artes plásticas no curso
oferecido por Silva, no ateliê, os deficientes físicos, mentais, auditivos e visuais aprendem também música, linguagem, jogos matemáticos e informática.
De acordo com Silva, o trabalho em argila possibilita o despertar de sentimentos que estão reprimidos. Ele garante que a evolução dos alunos, sejam eles adolescentes infratores com baixo nível de escolaridade ou deficientes físicos e mentais, é real. ‘‘Tenho observado de uma maneira empírica que realmente eles evoluem de uma aula para a outra. Não se trata de evolução demorada e as provas são as peças que eles produzem a cada aula’’.
Um dos casos que desperta a atenção do artista plástico é o da capacidade de absorção de uma aluna deficiente. Valderi Morales não tem movimento do braço direito e apresenta uma leve deficiência mental. Na primeira aula de artes plásticas, Valderi fez um vaso sem muita forma. ‘‘A idéia era de um vaso, mas ela não conseguiu modelar muito bem’’, explicou Silva. Na segunda aula, Valderia acrescentou uma flor também sem muita forma no vaso. Só então Silva mediou o conhecimento de Valderi, ensinando a ela as técnicas de modelagem. Depois desta primeira intervenção do professor, Valderi fez o vaso, com uma forma mais próxima do objeto desejado. Na quarta aula, ela fez um busto sem a interferência de ninguém.
‘‘Os deficientes, assim como os adolescentes infratores, são excluídos da sociedade, são estigmatizados e considerados inúteis. Mas isso não é verdade, porque eles são produtivos e têm capacidade, potencialidade e criatividade para desenvolver diversas atividades’’, afirma Silva. (L.P.)

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