Deficientes sofrem para ir à escola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de outubro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Parentes de portadores de deficiência que são atendidos pela Escola de Educação Especial Flávia Cristina, localizada na Avenida Saul Elkind (Zona Norte de Londrina), estão insatisfeitos com a estrutura de transporte que é oferecida aos alunos. Eles alegam que o número de ônibus utilizados exclusivamente para levar pessoas com necessidades especiais à instituições de atendimento é pequeno, o que em alguns casos provoca atrasos que passam de uma hora e constrangimentos.
A dona-de-casa Elizabeth Aparecida Laplaca afirma que todos os dias acompanha seu filho de 11 anos até a escola. Por volta das 12h30, o ônibus passa na casa da família, no Jardim Atlanta (Zona Sul). Entretanto, segundo Elizabeth, o veículo passa por outras três instituições de atendimento a portadores de deficiência antes de chegar à escola. O roteiro é tão demorado que a dona-de-casa e o filho, portador de paralisia cerebral, chegam ao seu destino apenas às 14h30.
As aulas começam às 13 horas. ''Devido à demora do ônibus, meu filho perde atividades que são oferecidas pela escola, pois sobra pouco tempo. Só para comer, ele gasta cerca de uma hora, pois tem dificuldades para se alimentar. Ele sai às 17 horas. Considerando-se que ele chega às 14h30, o que ele pode ter aproveitado em tão pouco tempo?'', questiona a dona-de-casa. Na volta, segundo Elizabeth, a demora é parecida: ela e o filho chegam em casa por volta das 19 horas.
A auxiliar de enfermagem Iracema dos Santos Romualdo mora no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), que fica a cerca de 15 minutos de carro da escola Flávia Cristina. Sua filha de 16 anos, portadora de paralisia cerebral, pega o ônibus para ir à instituição por volta de meio-dia. A família alega que, como o veículo tem que passar por outros lugares, a jovem chega à escola apenas às 14h30.
''Minha filha fica dentro do ônibus nesse sol forte por mais de duas horas. Se é para ser assim, prefiro que ela fique em casa. Pelo menos ela não sofreria'', diz Iracema. ''O longo tempo em que eles (os portadores de deficiência) permanecem dentro do ônibus pode causar outros problemas, já que o aluno fica na mesma postura por horas'', opina a diretora da escola, Gelta Cristiane de Alencar.
Os parentes de portadores de deficiência que são atendidos pela escola Flávia Cristina acreditam que apenas a disponibilização de mais ônibus poderá resolver o problema. A funcionária pública Cleuza Ferreira, avó de uma menina de nove anos que tem paralisia cerebral, afirma que já foram enviados dois comunicados ao Ministério Público (MP) sobre o assunto.
A promotora Solange Vicentin, que trata de matérias relacionadas ao meio ambiente, à fundações e à pessoas portadoras de deficiência, informou que há um processo sobre o assunto em andamento e que já foram pedidas explicações à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).


