Deficientes reclamam da falta de transporte
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segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
A dificuldade de locomoção sempre foi um agravante na vida dos deficientes físicos, mas em Londrina o problema vem se tornando cada vez mais sério, de acordo com a Associação de Defesa dos Direitos dos Deficientes Físicos, ligada à Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil). A falta de transporte adaptado para atender principalmente cadeirantes é a principal reclamação.
Segundo Paulo Rogério Souza, um dos integrantes da Associação, a cidade possui 20 ônibus adaptados com elevador e apenas quatro vans, que atendem os 1.200 deficientes físicos associados à Adefil. Só de cadeirantes Londrina tem 550 pessoas. ''350 deles deixam de ser atendidos, porque apenas 150 conseguem acesso ao transporte'', afirma Souza. O motivo é que nem todas as linhas têm ônibus adaptados e as vans não conseguem atender a demanda.
Os deficientes físicos reclamam também dos atrasos, principalmente das vans. ''Temos deficientes que trabalham e acabam chegando atrasados no serviço ou perdendo consultas médicas''. Em aguns casos, o atraso chega a ser de até quatro horas. ''Um dos nossos associados está sendo avaliado para uma vaga de emprego. Tem que chegar às 8 horas, mas a van só passa na casa dele às 8h30. Provavelmente ele não vai conseguir o emprego''.
Outra reclamação é que os ônibus não param fora dos pontos, desrespeitando a Lei Municipal 7.53 de 11 de junho de 1997, que permite o embarque e o desembarque de passageiros no transporte coletivo fora dos pontos fixados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Há dois meses os deficientes físicos também perderam o direito de transporte aos sábados, a partir das 14 horas e aos domingos, durante o dia todo. ''Eles pensam que os deficientes físicos não têm lazer, não vão a um shopping, a um cinema?'', questiona Souza.
Para o presidente da Adefil, Paulo Lima, uma das sugestões para facilitar o livre acesso dos deficientes, é construir plataformas de concreto nos próprios pontos, que dariam acesso ao transporte coletivo. ''Já fizemos um projeto, é uma opção viável e que pode ter a parceria do comércio, com patrocínio e propaganda nesses locais''. Cada rampa custaria cerca de R$ 500 de acordo com avaliação da Adefil. ''Se 200 pontos na cidade tivessem essas plataformas, resolveria boa parte do problema''.
Novas vagas para deficientes no centro da cidade também estão sendo reivindicadas pela Associação. ''Precisamos garantir nosso direito de cidadania''.


