Há mais de cinco meses, cerca de 50 deficientes físicos em Londrina aguardam, em lista de espera, transporte para poder se locomover para tratamento médico. De acordo com o presidente da Associação de Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Paulo Roberto da Silva, apenas dois carros (uma kombi e uma van), fazem o atendimento hoje para 58 pessoas. A prioridade é atender pessoas carentes e que necessitam do transporte para tratamento de saúde. ‘‘O número não é suficiente. Nossa meta é de quatro carros, um para cada região da cidade, para atender pelo menos 90% da demanda’’, explicou Silva.
A dona de casa, Angelita Maria da Silva, 63 anos, moradora do Jardim Alto da Boa Vista (região Norte), depende da ajuda do vizinho para se deslocar duas vezes por semana até o centro da cidade e fazer fisioterapia. Ela perdeu a perna direita, em janeiro deste ano, em decorrência de uma trombose. ‘‘É um sufoco, não tenho como ir de ônibus e dependo do meu vizinho, mas também não é sempre que tenho dinheiro para pagar a gasolina’’, afirmou. O estudante Luis Vanderlei da Silva, 13 anos, só retomou a fisioterapia há cerca de um mês porque a prima se comprometeu a transportá-lo de carro. ‘‘Quando ele era criança eu carregava no colo, mas não dá mais. Agora, a prima está levando, mas não é toda vida que ela vai poder fazer isso’’, disse a mãe, Conceição das Graças Silva, 42 anos.
Mesmo quem utiliza o transporte tem reclamações. O presidente da Adefil cita o exemplo de uma senhora que precisaria do carro todos os dias para fazer seu tratamento. ‘‘Cada cadeirante tem direito ao transporte apenas uma vez por semana, para conseguirmos atender o maior número de pessoas’’, disse. De acordo com ele, a estimativa do IBGE é que 10% da população de Londrina tenha algum tipo de deficiência (física, mental, auditiva ou visual). ‘‘A demanda é muito grande, e priorizamos a saúde, mas o ideal seria atender também trabalho e lazer’’, disse Silva. Segundo a secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizoti, as companhias de transporte coletivo da cidade deveriam oferecer mais ônibus adaptados. ‘‘Hoje o número não é suficiente e o transporte é um direito garantido pela política nacional de atendimento aos portadores de necessidades especiais’’, disse.
No ano passado, a empresa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) fez a doação de uma van para a Prefeitura, e faz a manutenção do veículo, além de arcar com os custos de combustível e motorista. Mesmo assim, além dos dois carros, deficientes físicos de Londrina só podem contar com 10 ônibus da TCGL com piso baixo, com capacidade para um cadeirante, e um ônibus adaptado com elevador da empresa Francovig. Segundo a assessoria de imprensa da TCGL não há previsão para viabilizar mais vans. A assessoria de imprensa da Francovig informou que a empresa estuda a aquisição de mais um ônibus, até o final do ano, adaptado com elevador.

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