Deficientes querem mais sinalização
Associação dos Deficientes quer a implantação imediata de placas com o símbolo internacional de acesso em locais públicos
‘‘Queremos que a
população conheça o
símbolo e o respeite’’,
diz Ferreira
Ana Clara Garmendia
Especial para a Folha
Mauro FrassonQueixaRui Bueno: só placas não são suficientes para resolver o problema da locomoção do deficiente físicoOs deficientes físicos do Paraná querem reforçar seu direito de ir e vir, tomando como bandeira a linguagem universal das placas que indicam acesso exclusivo. A principal queixa é sobre a escassez de sinalização em locais públicos e, também, a falta de respeito às placas quando elas existem.
‘‘A falta de sinalização geral - trânsito, estacionamentos, cinemas, banheiros públicos, calçadas - que indique os locais que são especificamente para deficientes atrapalha o dia-a-dia de quem tem dificuldades para locomoção’’, afirma Altivo Ferreira Filho, presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná.
A Associação quer a implantação imediata de placas padronizadas com o símbolo internacional de acesso em todos os locais públicos. ‘‘Queremos que a população conheça o símbolo, saiba seu significado, respeite-o. Até hoje o que tem acontecido é que as pessoas - por ignorância ou por acharem mais cômodo - ocupam as vagas de estacionamento destinadas a nós’’.
Uma das medidas que Ferreira defende é a multa para quem não cumprir a lei. ‘‘A população se educa quando tem que pagar pelo que faz de errado. É só ver como todo mundo está usando cinto de segurança depois do novo código de trânsito’’, afirma.
Um projeto de lei do vereador Ney Leprevost quer garantir a aplicação de uma lei federal que prevê a obrigatoriedade das placas de acesso em locais públicos.
Pelo projeto, todos os estabelecimentos públicos devem criar estacionamentos específicos e adotar as placas com o símbolo internacional. O sistema EstaR deverá reservar nas ruas, preferencialmente do lado esquerdo para facilitar o acesso, vagas para deficientes. Por fim, qualquer estabelecimento.
O problema da deficiência física, segundo Ferreira Filho é de todos. ‘‘Eu, até nove anos atrás, não imaginava que hoje estaria aqui. O fato é que toda a população é deficiente em potencial’’, alerta. Segundo a ONU, 10% da população mundial sofre de algum tipo de deficiência, dos quais 50% são deficientes mentais e 2,5% a 3%, deficientes físicos. O Paraná tem 36 mil deficientes físicos.
O contabilista Rui de Lima Bueno está numa cadeira de rodas desde que sofreu um acidente de carro, em 1991. Ele afirma que só a obrigatoriedade das placas não é suficiente para resolver o problema da locomoção do deficiente físico.
O contabilista prega a mudança de atitude da população, além das leis. Bueno se refere aos motoristas que roubam as vagas nos estacionamentos e à administração pública, que deixa as calçadas esburacadas.

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