Cornélio Procópio - Deficientes físicos que trabalhavam em agências dos Correios da cidade de Cornélio Procópio e região realizaram um protesto ontem em frente à agência central da cidade. Eles foram dispensados no último dia 31 e querem voltar ao trabalho.
A Associação dos Deficientes Físicos de Cornélio Procópio (Adecop), recebeu o comunicado de que o contrato firmado entre a Associação e os Correios foi encerrado no último dia 31 e que todos os 10 funcionários contratados pela Associação estariam dispensados a partir daquela data.
Revoltados com a situação, os trabalhadores levaram faixas para a frente da agência com o objetivo de sensibilizar a comunidade. O grupo também já contratou um advogado para levar a questão à Justiça.
O presidente da Adecop, Otacílio Pereira Leite, explicou que a entidade foi criada no ano de 1994 exclusivamente para terceirizar a contratação de deficientes para trabalhar nos Correios. ''A Associação recebe um repasse dos Correios e esse valor é administrado pela própia entidade, que paga os funcionários e fica com 15% do salário de cada trabalhador para pagar os encargos trabalhistas. Agora eles estão alegando que falta documentação da Adecop para a renovação do contrato, só que a dificuldade que tivemos com a atualização dos documentos foi justamente porque os Correios estão há um ano deixando de repassar o dinheiro'', disse Leite.
O advogado da Adecop, André Luiz Navarro, disse que encaminhará o caso ao Ministério Público do Trabalho. ''Eles foram dispensados e não receberam nada até agora, nem mesmo 13º salários ou FGTS'', comentou.
O salário base dos trabalhadores é de R$ 359 reais. A maioria deles trabalha há mais de dez anos na empresa. Preocupada com o futuro, Roseli Aragão da Silva, funcionária há nove anos na agência dos Correios de Bandeirantes, estava participando do protesto na manhã de ontem. Chorando, ela disse que além dos problemas com atraso de salários, os deficientes sofrem discriminados. ''Certos trabalhos os deficientes não podem fazer e as vezes percebemos que o tratamento com a gente é diferente. Fomos pegos de surpresa e agora não sei o que vou fazer. Sou casada, e tenho três filhos para cuidar'', comentou.
Por ser um órgão público, a contratação de funcionários para os Correios deve ser feita por meio de concurso público. Um número específico de vagas são destinadas exclusivamente para os deficientes físicos. Questionada quanto à legalidade do procedimento de terceirização com a Adecop, a assessoria de imprensa dos Correios informou à FOLHA que a medida é legal e que faz parte de um projeto social dos Correios. De acordo com a assessoria, há cerca de dez anos o órgão contrata deficientes físicos por meio de terceirização para ''possibilitar mais acesso aos deficientes'', além dos que já possuem vagas garantidas por meio dos concursos.
A assessoria de imprensa dos Correios garantiu também que todos os repasses do órgão foram feitos à Associação e que não foi possível renovar o contrato por ''falta de documentação''. Quanto aos pagamentos dos funcionários, a assessoria informou que as obrigações da empresa estão em dia.

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