Deficientes pedem o fim das barreiras
Da Sucursal
Kraw PenasVitóriasJosé Medeiros e Luiz Algacir: campeões de natação e tênis de mesa O acidente envolvendo o governador Jaime Lerner, que chegou ontem a Curitiba numa cadeira de rodas, provocou uma reação das entidades que congregam deficientes físicos. Elas esperam que depois de sentir na pele as dificuldades, o governador e as autoridades municipais sejam mais sensíveis às necessidades dos deficientes que, em Curitiba, chegam a 150 mil.
As barreiras arquitetônicas são os principais problemas para os deficientes físicos ou visuais. Portas estreitas, calçadas escorregadias, meio-fio sem rebaixamento e escadas são algumas delas. Feitas para facilitar o trânsito, as rampas, quando existem, são muito inclinadas e sem corrimão.
É claro que ninguém desejou que isso acontecesse ao governador e lamentamos que o acidente tenha ocorrido. No entanto, mesmo sendo um absurdo usar este argumento, tentaremos sensibilizá-lo para ajudar a demolir as barreiras intransponíveis para nós e quase nunca percebida pelos perfeitos fisicamente, justifica o vice-presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, Nivaldo Menin.
Alessandro SantosNivaldo Menin usa táxi adaptado com elevador
Ele tem uma loja e oficina de cadeira de rodas e recebeu ontem de manhã, uma ligação de um assessor da Secretaria de Estado da Saúde solicitando uma cadeira de rodas motorizada para o governador. Já conseguimos a cadeira e ele queria uma igual à que foi usada na Europa e que realmente ajuda em muito a locomoção, contou. Uma cadeira desse tipo custa R$ 3 mil.
Para ser bem sincero não é preciso que alguém se machuque tanto mas apenas que tente passar um dia realizando as atividades rotineiras sentado numa cadeira de rodas, sugeriu o presidente da ADFP, Sérgio Antônio Reinaldim. Segundo ele, grande parte dos deficientes físicos foi vítima de acidente de trânsito.
Ir ao banco, fazer compras, pegar um ônibus e tentar entrar num prédio público são algumas tarefas que atormentam a vida dos deficientes. Alguém pode acreditar que o setor de perícia médica do INSS fica no terceiro andar e que o elevador do prédio não comporta uma cadeira de rodas?, diz Reinaldim. Ou que uma obra pedida pela associação foi recusada pelo Ippuc por não ser esteticamente boa?
Alessandro SantosSérgio Reinaldim, da ADFP: maioria vítima do trânsitoCinco táxis/kombis com elevadores adaptados tentam atender aos chamados em toda a cidade. A grande procura obriga que os horários sejam marcadas com um dia de antecedência. Apenas quatro linhas de ônibus urbanos atendem os deficientes físicos em Curitiba. Existe apenas um ônibus para cada linha e quando ocorre problemas ou no ônibus ou no elevador a gente fica sem transporte, conta Nivaldo.





