Representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Londrina estão mantendo contatos com o Ministério Público, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Procon para requisitar o cumprimento de metas de universalização da telefonia no município. Segundo a presidente do conselho, Martinha Dutra, o número de telefones públicos adaptados a deficientes auditivos e visuais é insuficiente e há necessidade de mais aparelhos rebaixados para cadeirantes.
''Um decreto federal estipula que 2% dos telefones públicos de uma cidade devem ser adaptados a portadores de deficiência'', diz Martinha. Segundo a presidente, as reuniões que estão sendo realizadas também visam outras melhorias: cartões para telefones públicos com tecnologia para informar a quantia de créditos a deficientes visuais; listas telefônicas em braile ou com tipos maiores; tecnologia TTY (aparato de texto para surdos) na telefonia fixa.
''Além disso, no ano passado, enviamos uma recomendação à Sercomtel para que fossem redimensionados os diâmetros da base e da parte de cima dos orelhões. Com os aparelhos disponibilizados hoje, os deficientes visuais tocam a base com a bengala tarde demais e acabam batendo a cabeça e o rosto'', alega Martinha.
O atleta Claudines Bartolomeu, 34, confirma a dificuldade que os usuários de cadeiras de rodas têm para utilizar os telefones tradicionais. No dia-a-dia, Bartolomeu conta com um aparelho celular para se comunicar, mas teme não ter um orelhão adaptado por perto quando houver uma emergência. ''É complicado alcançar o telefone comum. Até você se esticar para tirar o fone do gancho, inserir o cartão com dificuldade e discar o número, a linha já caiu. Se rebaixassem um pouquinho o aparelho já estaria bom'', explica. Morador do Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), o atleta reclama que não há telefones públicos adaptados para deficientes nos bairros, mas somente na Área Central.
Já para Carlos Nascimento, 71, que perdeu a visão há 15 anos, o maior obstáculo para o uso da telefonia não está nos aparelhos, mas na obtenção de informações. Mais simples do que catálogos telefônicas em braile, diz Nascimento, seria oferecer o serviço de auxílio à lista (102) inteiramente gratuito para os cegos. ''Hoje é preciso ser filiado ao Instituto dos Cegos para conseguir por telefone, sem custo, um número que consta da lista. O ideal seria a Sercomtel dispor de um registro com o nome de todos os deficientes visuais da cidade para conceder o benefício'', sugere.

mockup