Dimitri do Valle
De Curitiba
Pelo menos 500 deficientes físicos de Curitiba esperam uma chance para ingressar no mercado de trabalho. Os números são da Associação de Deficientes Físicos do Estado do Paraná. Segundo o presidente da entidade, Nivaldo Menin, o principal obstáculo enfrentado pelos deficientes ainda é o preconceito. ‘‘Somos produtivos também. Deficiência não significa incapacidade’’, diz Menin.
A própria associação dos deficientes dá um exemplo de como as limitações físicas das pessoas que lá trabalham não impedem o funcionamento normal da sede. Localizado no bairro Alto da XV, na capital, o prédio tem 220 funcionários, dos quais 210 são deficientes físicos. Nivaldo Menin acredita que as próprias leis escritas para beneficiar deficientes acabam inibindo os empresários na hora de contratar.
‘‘Existem algumas leis que protegem o deficiente e inibem os patrões de contratar. É que durante a elaboração dessas leis, os políticos não costumam ouvir os representantes dos deficientes’’, afirma o presidente da associação. A lista de pessoas que se cadastraram na associção na busca de um emprego é formada por candidatos interessados em atuar nas áreas de informática, administração de empresas e atendente.
Para Menin, o deficiente enfrenta um cruel paradoxo social. ‘‘Para nós é difícil provar que somos capazes diante de uma sociedade ainda mais deficientem e desestruturada’’, comenta. O advogado José Diogo Guilen, 39 anos, por exemplo, trava uma batalha na Justiça para concluir um curso que possa levá-lo a função de delegado da Polícia Civil.
Guilen perdeu o braço esquerdo num acidente de automóvel em dezembro de 1994 quando era escrivão de polícia e exercia as funções de delegado no município de Ribeirão Claro, no Norte do Estado. Ele viria a Guaratuba para recuperar um carro furtado em Jacarezinho. No caminho, sofreu o acidente. O concurso para delegado tinha sido prestado nove meses antes da colisão acontecer.
Em 1996, o advogado recebeu convocação para fazer o exame físico para futuro delegado. O resultado da divisão de inspeção médica e de saúde da Secretaria de Estado da Administação era de que Guilen foi considerado ‘‘inapto para função pública’’. ‘‘Deste modo, eles generalizaram e mesmo que eu quisesse nunca poderia tentar concurso para juiz ou outro cargo público’’, lamenta.
Através de uma liminar, o advogado pôde prestar curso na Escola de Polícia. No exame psicopatológico mais uma barreira. Ficou concluído que Guilen ‘‘era uma pessoa dispersiva e sem vontade própria’’. ‘‘Como é que eu não tinha vontade própria se lutei para ingressar na Escola de Polícia’’, diz ele, referindo-se a justificativa contraditória.
Guilen resistiu, com outra liminar, mas recebeu notas por matérias que nem chegou a ter aulas na Escola de Polícia. Tanto sacrifício, fez o advogado concluir: ‘‘a discriminação foi total’’. Guilen busca Justiça agora no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.

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