A acessibilidade à tecnologia oportuniza aos cidadãos, com quaisquer necessidades, o direito de participar da sociedade, ir e vir em condições de igualdade. Isso significa também a eliminação de barreiras e a abertura de oportunidades. Não é isso que a maioria dos deficientes tem vivido.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Martinha Dutra, considera que hoje em dia há mais disponibilidade de tecnologias para deficientes, mas ressalta que ainda falta muito para que eles realmente possam aproveitá-la. ''Cerca de 14% da população brasileira possuem algum tipo de deficiência. Destes, 40% têm deficiência visual. Antigamente, tudo era ainda mais difícil. Estamos construindo uma sociedade para todos. Infelizmente, um dos principais problemas hoje em dia tem sido o poder aquisitivo das pessoas. Daí a dificuldade maior nem é em ser deficiente, mas pobre'', diz.
A estudante de Psicologia, Jaqueline Alves Brito, 22 anos, é deficiente visual e sofre inúmeras dificuldades, principalmente para estudar. Portadora de uma doença genética, Jaqueline possui menos de 10% de visão. Para estudar ela precisa tirar xerox ampliado dos livros. Com a ajuda de uma amiga, utiliza o computador de casa com uma configuração diferente, fundo preto e letras grandes e amarelas. ''Eu nem frequento a biblioteca da universidade. Quando vou, alguém tem que ir comigo para me ajudar a encontrar o livro que preciso'', diz.
O companheiro de sala de Jaqueline, Henrique Berg Machado, 28 anos, também enfrenta diversas barreiras todos os dias. Depois de sofrer um acidente de trânsito, Machado perdeu a visão do olho esquerdo e 70% da capacidade do olho direito. Por recomendação médica, o estudante foi orientado a não permanecer em leitura por longos períodos, mas como precisa estudar acaba forçando o pouco da vista que ainda lhe resta.
''Esse problema poderia ser resolvido com uma simples biblioteca falada. Tem sites que colocam esse serviço à disposição para downloads, o problema é que são livros mais comuns, você dificilmente encontra livros de assuntos específicos. Sei que existem muitas leis que são criadas para incluir o deficiente na sociedade, mas muitas não são cumpridas'', reclama Henrique.
O decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004 regulamenta leis que dão prioridade de atendimento aos deficientes. Martinha disse que um programa como o Virtual Vision que proporciona leituras faladas e comandos específicos para cegos resolveria o problema dos estudantes. ''Por lei, todas as universidades devem ter pelo menos uma máquina com esse programa nas bibliotecas para que o deficiente possa ter autonomia. Isso é fundamental'', salienta.
Com o tema ''Levanta-te, vem para o meio'', a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica aborda as pessoas com deficiência. Segundo o padre Delci da Conceição Filho, educador e evangelizador de surdos, a Arquidiocese de Londrina tem buscado sensibilizar as pessoas para provocar mudanças por meio de atitudes concretas.
Segundo o padre, as realidades são diversificadas e é necessário respeitar as diferenças existentes entre as pessoas. ''Existe muito preconceito; a mudança se faz a partir da educação e do rompimento de paradigmas''.

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