Deficientes ganham atenção de empresas
Silvana Leão
De Londrina
Os deficientes físicos de Londrina que dependem de transporte coletivo começam, enfim, a ter suas necessidades atendidas. Está entrando em circulação hoje um ônibus adaptado pela empresa Francovig responsável pelas linhas da zona sul para usuários de cadeira de rodas (cadeirantes). A cerimônia de entrega do veículo acontece às 10h30 no pátio da Prefeitura de Londrina.
A Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), por outro lado, anunciou também ontem que no ano que vem (provavelmente no mês de março) vai ceder à Secretaria de Ação Social do Município, em sistema de comodato, três vans para transporte gratuito de deficientes. São iniciativas que, se não resolvem totalmente a demanda gerada pelos mais de três mil deficientes (entre físicos, mentais, auditivos e visuais) de Londrina, pelo menos é um bom começo.
O ônibus com adaptação para deficientes que está começando a rodar pela cidade vai fazer a linha 202, entre o Conjunto Roseiras e área dos hospitais Evangélico e Santa Casa. Esta linha é também a que percorre o núcleo onde concentram-se as clínicas, na Avenida Bandeirantes.
O novo veículo faz parte de uma frota de cinco que acaba de ser adquirida pela Francovig e custou em torno de R$ 120 mil (20% mais caro que um ônibus convencional). Ele é equipado com uma plataforma elevatória, que desce ao nível do meio-fio ou do asfalto, permitindo a entrada do deficiente com a cadeira de rodas. Além da possibilidade de entrar no ônibus sem ajuda de outra pessoa, o sistema oferece mais segurança ao passageiro, já que tem trava que não deixa a cadeira mover-se e alças onde a pessoa possa se segurar.
A plataforma é acionada pelo cobrador e fica na porta do meio. Dentro do veículo, há espaço para três cadeiras de roda, duas delas com cintos de segurança. O local destinado às cadeiras ocupa o lugar de oito passageiros sentados.
Ontem de manhã, funcionários da Francovig faziam adaptações nos cintos, para facilitar a utilização pelos usuários. Segundo o diretor-administrativo da empresa, Francisco Henrique Francovig, motoristas e cobradores que vão operar o veículo já passaram por treinamento para usar corretamente o sistema. As operações de embarque e desembarque deverão durar, em média, 20 segundos.
Francisco Francovig lembra, porém, que será extremamente importante a colaboração dos outros passageiros, no sentido de ter paciência para esperar pelo acesso do deficiente e respeitar o lugar destinado a eles dentro do veículo. Dos motoristas londrinenses, a empresa espera a consciência de não estacionar em locais proibidos, reservados aos pontos de ônibus.
De acordo com o diretor-administrativo, a Francovig vai operar este primeiro ônibus em caráter experimental. Dando certo e havendo demanda, existe a possibilidade de adaptarmos mais veículos, inclusive em outras linhas. A empresa não chegou a fazer um levantamento para saber quantos deficientes existem na região atendida por seus serviços. Se fôssemos esperar por um estudo, o projeto iria demorar muito para se concretizar, por isso preferimos colocar o ônibus nas ruas e testar a demanda, afirma Francovig.
Ele diz que optou pelo ônibus de linha adaptado por permitir uma maior integração entre o deficiente físico e a comunidade. As linhas específicas para deficientes têm caráter discriminatório, acredita.
A opinião do gerente da TCGL, Gildalmo de Mendonça, é outra. Experiências de outras cidades mostram que a melhor opção são os veículos especiais, adaptados para os deficientes. Os passageiros, de maneira geral, não têm paciência. Nós temos que ter os pés no chão e considerar que a conscientização é difícil. Por este motivo a empresa está programando a compra de três vans, que serão destinadas especificamente a pessoas com necessidades específicas.
Uma comissão formada por representantes da TCGL, da Secretaria de Ação Social, da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), da Pastoral do Portador de Deficiência Física de Londrina e da Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb) está trabalhando agora no levantamento de dados para fazer um diagnóstico das necessidades de transporte dos deficientes na cidade e apresentar alternativas.
Queremos estabelecer critérios para que já possamos começar de maneira adequada, observa Mendonça, explicando também que a empresa já adquiriu 10 ônibus de piso baixo, sem escadas, que dão uma leve inclinada ao estacionarem, para facilitar a entrada dos passageiros. Segundo o gerente da empresa, não se trata de um veículo especial para pessoas com dificuldades de se locomover, mas que ajudará bastante crianças e idosos.
Durante reunião ontem de manhã com membros da comissão, Mendonça anunciou ainda que irá passar a fornecer 500 litros de combustível por mês à Adefil para abastecer a Kombi que transporta deficientes para sessões de fisioterapia. Esta semana a entidade teve que suspender o serviço por falta de dinheiro para o combustível.
A TCGL também está se comprometendo a traçar um plano de manutenção preventiva para os dois ônibus adaptados que servem à Pastoral do Portador de Deficiência Física e, por serem muito velhos, apresentam constantemente problemas mecânicos. Estes ônibus, doados pela Associação dos Funcionários da TCGL, foram adaptados pela prefeitura há vários anos e são utilizados para transporte de crianças das regiões norte e sul do município que frequentam escolas especiais. Além do plano de manutenção, a Grande Londrina irá fazer uma reforma completa nestes ônibus, durante o próximo período de férias.Portadores de deficiência de Londrina passam a contar com ônibus adaptado da Francovig na zona sul; TCGL também anuncia novidade
Josoé de CarvalhoTESTE FINALSistema de plataforma do ônibus adaptado pela Francovig em funcionamento, ontem à tarde. Veículo opera a partir de hojeMário CesarFrancisco Francovig: embarque e desembarque em 20 segundosJosoé de CarvalhoLocal do veículo destinado às cadeiras de roda ocupa o lugar de oito passageiros sentados





