Deficientes físicos podem ficar sem emprego
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sábado, 17 de janeiro de 2004
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Associações de deficientes físicos do Paraná estão se mobilizando para tentar manter os contratos de trabalho com empresas públicas como a Sanepar. Segundo o presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Orlando dos Reis, a Procuradoria do Trabalho, em Curitiba, teria comunicado aos diretores da empresa de que os portadores de deficiência física não poderiam trabalhar como terceirizados. ''Na visão do Ministério Público (MP) estamos ocupando vagas de pessoas concursadas'', explicou.
Reis destacou que a medida não é recente. Em 2001, a solicitação já foi enviada à direção da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Antes que a direção da companhia tomasse alguma medida, as associações conseguiram convencer a promotora responsável, Cristiane Lopes, pela prorrogação dos contratos por mais três anos com um ano a mais para os que cursam o ensino superior. Esses contratos, segundo ele, estão vencendo este ano. ''Não tivemos tempo de propor o mesmo acordo com a Sanepar''.
A Adefil, de acordo com o presidente, já foi convocada para uma audiência com a procuradora, no dia 4 de fevereiro. Reis informa que, dos 18 contratados que a Adefil mantém com a empresa de saneamento, dois já foram dispensados e outros três saem até o final do mês. Na Copel, 90 deficientes físicos prestam serviços atraves de contratos com a associação.
O MP, segundo Reis, não quer que os deficientes físicos dependam da associação para trabalhar. Para isso, orienta que eles participem dos concursos públicos e legalizem oficialmente a situação. Ele alega, entretanto, que a maioria dessas pessoas não tem condições de se preparar para estes testes. No concurso da Copel realizado no ano passado, todos participaram e apenas um foi aprovado. Pelo contrato de trabalho, os salários e benefícios dos servidores são repassados via associação. A associação, destaca, é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos. ''Repassamos a eles tudo o que recebemos'', garantiu.
Reis informa que o mercado de trabalho para deficientes na cidade é escasso, além disso há muitas pessoas sem a formação necessária para ocupar as vagas que aparecem. ''Temos quatro vagas disponíveis e nenhuma das 150 pessoas que estão na lista de espera possuem habilitação para ocupá-las'', lamentou. Ele destaca que a associação tenta ajudar na medida dos recursos disponíveis. ''Estamos utilizando os sete computadores de que dispomos para oferecer cursos de informática''.
A Associação de Deficientes Físicos de Umuarama (Adefiu) também está preocupada com a não renovação dos contratos de sete pessoas, que vencem em fevereiro. Dirceu Francisco de Oliveira, que integra a direção da entidade, é uma das que perderá o emprego. Os contratos de trabalho, segundo ele, são renovados todos os anos. Este ano, devido a mudança na direção da Sanepar, eles se anteciparam no envio dos documentos, mesmo assim não conseguiram. Oliveira diz que as sete vagas ocupadas por deficientes estão nas áreas adminitrativa e de atendimento a clientes. ''Não há serviço para deficientes na cidade'', constatou.


