Deficientes ficam sem transporte
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Célia Guerra De Londrina 
A falta de veículos para o transporte diferenciado de portadores de deficiência, em Londrina, está gerando transtornos. A artista plástica Jacira Nobre Cândido, que mora na Vila Nova (área central), reclama que a filha Verônica Aparecida Nobre Candido, 14 anos, que depende de cadeira de rodas devido a acidente de parto, está assistindo apenas duas aulas por dia na escola que frequenta. A locomoção da adolescente é feita por um veículo pertencente à Pastoral dos Deficientes. A entidade, segundo ela, é a única na cidade que faz este transporte e possui apenas dois veículos doados pela Transportes Coletivos Grande Londrina.
A dona de casa Ivone de Paula Delfino, moradora do Jardim Maria Cecília (zona norte) ainda não conseguiu mandar o filho, César Augusto de Paula, 17 anos, que ficou tetraplégico há quase dois anos. A escola do bairro segundo ela, não está adaptada para receber alunos deficientes e ela não conseguiu veículo para levá-lo para outro estabelecimento. O adolescente faz hidroterapia em uma instituição duas vezes por semana e para o transporte depende de um veículo diponibilizado por um deputado da cidade, que nem sempre aparece.
Rita de Cássia Araújo Santos, atendente de um dos ônibus da Pastoral, explica que os veículos atendem cerca de 80 deficientes mentais e físicos que frequentam cinco escolas na cidade. A demanda, segundo Rita, é grande e para que todos sejam atendidos o tempo de permanência na escola é reduzido.
Rita elogia o trabalho da TCGL, que além de doar o ônibus se encarrega da manutenção do veículo. Os ônibus, entretanto, são velhos e quebram com muita frequência. A pastoral não tem garagem para guardar os veículos que permanecem na rua e vira alvo do furto de combustível.
A vereadora Márcia Lopes (PT) lembrou que o direito de transporte é garantido pela constituição e que, pela lei, 5% da frota deveria ser adaptada para o serviço, mas isso não ocorre. O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Wilson Sella, disse que o atendimento diferenciado não consta nos contratos de concessão das empresas de transportes coletivos que atuam na cidade.
Sella lembra que há no município 10 veículos da TCGL rebaixados para facilitar o acesso das pessoas que utilizam cadeiras de rodas e um com elevador de cadeiras da Francovig Transportes Coletivos. A prefeitura pretende realizar um cadastro geral de todos que necessitam desse tipo de transporte para propor soluções, bem como propor uma credencial para o tranporte gratuito dos acompanhantes de portadores de deficiência.
O gerente da TCGL, Gildalmo de Mendonça, disse que além dos ônibus a empresa doou ao município uma van que presta serviços à Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil). A empresa paga a manutenção do veículo e o salário do motorista. A associação, segundo ele, recebe ainda 500 litros de combustível que é utilizado por uma Kombi da entidade. Ele listou outros serviços que seriam prestados pela empresa e disse que já estão cumprindo o seu papel social. Temos uma defasagem nos preços das passagens que nos impede de melhorar nossa frota. Não podemos assumir mais compromissos.


